Arquivo de outubro, 2012

01 Weepikes (Finland) – Born To Be Bored
02 Tangerines And Elephants (Curitiba, Brazil) – 10
03 Labrador (Curitiba, Brazil) – A Noite dos Nossos Dias
04 Watch Out For The Hounds (Curitiba, Brazil) – Guia para o Perdido
05 Audac (Curitiba, Brazil) – Real Painkiller
06 Brainiac (US) – Hot Metal Dobermans
07 Sonora Coisa (Curitiba, Brazil) – Reverse 33 RPM [Live @ UV Mobile]
08 The Hair And Skin Trade Company (UK) – On Again, Off Again
09 The Sorry Shop (Porto Alegre, Brazil) – Gone Again
10 Sahara Surfers (Austria) – Sonar Pilot
11 Yokofive (Curitiba, Brazil) – Selfish
12 Fetalcohol (Curitiba, Brazil) – Bossanova

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Retomando a série Mixtapes & Noisemates para a edição de número 5, onde os convidados revelam o que anda rodando em seus players e destilam parte do seu gosto pessoal através de doze canções escolhidas a dedo, a bola da vez fica ao encargo de Neri Rosa. Nascido em Curitba, no Paraná Neri é um dos grandes incentivadores da música independente brasileira e Paranaense, mantendo no ar desde 1997 ao lado de Marco Stecz o programa de rádio alternativo Último Volume na Educativa FM e Lúmen FM de Curitiba, servindo como plataforma de incentivo e apoio a produção local. Além do programa de rádio, Neri mantém no ar há alguns anos o blog Mofonovo onde joga na roda seus garimpos do meio alternativo mundial disponibilizando inúmeros discos raros e novidades. Vale lembrar que o cara também é um artista plástico de mão cheia e responsável pela arte das mixtapes aqui do bog. Fiquem então com texto escrito pelo próprio Neri + 12 belíssimas canções de sua escolha.

Friends of Ride Into The Sound, apresento aqui a convite do Al Schenkel meu mixtape que mistura bandas de fora com nacionais, mais especificamente de Curitiba, cidade que cria bandas mais que coelhinhos… e o melhor… bandas muito legais.

Abrindo o mix com os finlandeses do Weepikes de Helsink que estão planejando uma brazilian tour para breve junto com a banda curitibana Sonora Coisa. Aliás as duas bandas tem produção de Mark Kramer (Galaxie 500, Bongwater, Shimmy Disc). Tangerines And Elephants é uma das novas promessas do rock alternativo curitibano. Psicodelia progressiva, bossanoise e até jazz quebrado estão presentes nesta banda liderada pelo antenadíssimo Argos Carneiro. Emendando outra de Curitiba chamada simplesmente de Labrador. Inovando dentro do surfrock, letras despretensiosas e ritmo acelerado o Labrador ainda engatinha na cena curitibana mas com certeza em questão de meses os rapazes estarão dando a cara pra bater em shows e nos programas de rádio disponíveis na capital paranaense. Watch Out For The Hounds também de Curitiba faz um “jazz sujo”…. Definição da própria banda. Conheci estes meninos através do pai do André Osna que é meu amigo das antigas em Curitiba. Estão preparando o primeiro EP pra fevereiro de 2013 com muitas surpresas sonoras. Audac outra curitibana que acaba de abrir para o Tame Impala em SP e em Curitiba e participou da coletânea do programa de rádio Último Volume da Lumen FM. Com um som meio trip hop mas com pegada noventista a banda se prepara para lançar um full cd e cair na estrada pelo Brasil. É uma das maiores promessas do poprock atual de Curitiba. Pra quebrar um pouco inclui o Brainiac de Dayton, OH, USA. Esta banda synthpunk formada em 1992 que teve que encerrar suas atividades em 1997 devido a morte de Tim Taylor, guitarrista e vocalista num trágico acidente de carro. Deixou 3 CDs memoráveis entre eles o álbum de 1994 “Bonsai Superstar” indispensável pra quem gosta de efeitos, feedbacks, brakes e barulheira. Sonora Coisa de Curitiba não é shoegaze, drone, noise… é simplesmente uma banda que usa e abusa das distorções das guitarras à la Sonic Youth. Com a vinda do Weepikes para o Brasil a banda excursionará em breve para a Finlândia em retribuição. São bandas irmãs produzidas como falei pelo Mark Kramer. The Hair And Skin Trade Company são britânicos oriundos da banda LOOP. Denominados como avant-noise a banda foi formada em 1991 pelos ex-Loop Neil Mackay e John Wills. O melhor álbum lançado foi em 1993 “Over Valence”. The Sorry Shop de Porto Alegre brinca com o dreamgazer, mistura de shoegaze e dreampop. É uma das novas caras da cena rock de POA. Sahara Surfers são austríacos e fazem um pós-rock progressivo de primeiríssima qualidade. “Sonar Pilot” é uma das faixas do álbum do mesmo nome de 2011. Hipnóticos! Yokofive é outra banda de Curitiba mestres no barulho shoegaze mas se autodefinem como “maracatu –noise”!!!!! Fechamos o repolho com o industrial-noise-pós-industrial, Fetalcohol é um projeto curitibano fundado em 1996 por Carlos Morevi e que esporadicamente se apresenta em pequenos teatros ou porões da cidade. Tem um público fiel e adulto.

THAT’S ALL FOLKS !

1.The Body You Want 03:07
2.Dick Wolf 04:20
3.Old Crow 02:27
4.June Girls 06:41

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Por Al Schenkel

Clean Girls é uma boa e barulhenta surpresa surgida no ano de 2008 em Williamsburg, Virginia e que atualmente reside no Brooklyn, em New York mas que somente hoje, 23 de outubro (data oficial do lançamento de American Mothers) chegou ao meu conhecimento.

American Mothers é o segundo EP e sucessor de Summer Camp, disco de estréia lançado em 2010.  Neste segundo trabalho o clima caótico e tempestuoso é frequente entre as quatro faixas compostas pelo trio Chris Tracy (guitarra e vocais), Stephanie Monohan (baixo) e Stephen Reader (bateria e vocais), nos remetendo a diversas bandas de noise rock norte americano das décadas de 80/90 como referência direta.

American Mothers é um trabalho que certamente agradará fã de guitarras altamente distorcidas, microfonias, vocais berrados e canções que não transparecem qualquer resquício de ternura.

01 Your Looks
02 Death Drive
03 All Dead (For The Last 24 Miles)
04 Fall
05 Cinnamon
06 City Lights
07 Deny You
08 New Light
09 Deadened
10 Mirrors

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Por Al Schenkel

Doses cavalares de noise, fuzz, microfonias, Psychocandy, Loveless, psicodelia, reverberações e walls of sound pra fã nenhum de A Place To Bury Strangers botar defeito. Assim é Sin And Lostness, debut do trio The Lost Rivers, formado por Phil Wolkendorf (guitarra e vocal), Hell Pilot (baixo) e Izzy (bateria) no estado de Baden-Württemberg, Alemanha no ano de 2006.  Além das semelhanças já citadas a banda traz influências de Spacemen 3, Loop e The Telescopes, contribuindo para este caldeirão de ótimas referências onde a única regra parece ser desafiar os limites máximos suportados pelos amplificadores. Estréia obrigatória e esmagadora.

Bardo Pond “Yntra EP” (2012)

Publicado: 23 de outubro de 2012 em Drone, Druggy, Experimental, Psychedelic, Space
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01. The Cawl 7.02
02. Side To Side 7.55
03. A Crossing 20.30

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Por Al Schenkel

Brindando aos ouvidos antenados desde 1995 (data de lançamento do debut Bufo Alvarius, Amen 29:15) algumas das obras mais lisérgicas e hipnóticas já lançadas neste mundo, Michael Gibbons (guitarra), John Gibbons (guitarra), Isobel Sollenberger (flauta e vocal), Clint Takeda (baixo) e Jason Kourkonis (bateria) retomam as atividades após um ano através do EP Yntra, sucessor do split ao lado de Carlton Melton lançado em 2011.

Yntra é o reflexo das mentes ácidas do quinteto em mais um passeio pelo universo áspero onde enxurradas de drones, distorções, delays, white noise, reverbs e ligações diretas com substâncias psicotrópicas encontram-se, resultando em The Cawl, Side To Side e A Crossing, três peças longas que exploram as diversas possibilidades de experimentalismo associadas ao space-rock ruidoso ao qual a banda é geralmente integrada.

Vale lembrar que o os integrantes possuem um alto número de projetos paralelos bem bacanas além do Bardo Pond, dentre eles: 500 Mg (projeto solo de Michael Gibbons); Alasehir (Michael Gibbons, John Gibbons e Jason Kourkounis); Hash Jar Tempo 
(Bardo Pond e Roy Montgomery) e LSD Pond (Contribuição entre Bardo Pond e a banda de rock psicodélico japonesa LSD March).

1. A Man Who Might Have Been Screaming 18:09
2. And the Stories Will Flood Your Satisfaction (With Terror) 23:23
3. He Wants To Sleep In a Dream (He Keeps In His Hand) 19:11
4. I Am Sucking for a Bruise 7:54

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Por Al Schenkel

Seria necessário outra vida além desta para desvendar e conhecer uma boa parte do universo das bandas que passeiam sua sonoridade por entre o avant-garde, o free jazz e o noise. Não é um estilo fácil e muito menos bandas como o Fire! estão sujeitas a grande aceitação  de público devido ao altíssimo grau de experimentalismo e improvisação presentes em seus trabalhos.

In the Mouth a Hand é o terceiro registro do trio sueco formado por Mats Gustafsson, Johan Berthling e Andreas Werliin e conta também com a participação do guitarrista australiano Oren Ambarchi, compositor e multi-instrumentista que transcende as abordagens convencionais instrumentais, o que vem a tornar a obra do Fire! um tanto mais torta, assimétrica e instigante.

Vale lembrar que no registro anterior a banda trocou experiências sonoras memoráveis com o gênio Jim O’ Rourke no álbum intitulado Unreleased?, lançado no ano passado e que você pode baixar aqui.

01. Arboles De Navidad
02. Humming
03. Slo-Mo Dancer
04. No Te Va Gustar
05. Chester, Cheese and Onion
06. Rotten Peaches
07. Memorabilia
08. Chunby
09. Frames
10. Colorful
11. Conversando Com Os Meus
12 (faixa escondida) Marillou-Crownby

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Após uma série de singles lançados entre 2011 e 2012 e diversos shows espalhados pelo país afora, eis que ganha a luz Intropologia, disco de estréia da Medialunas, duo gaúcho formado pelo casal mais barulhento e simpático do rock independente nacional, Andrio Maquenzi (ex-Superguidis) e Liege Milk (Loomer e Hangovers).

Intropologia é um reflexo das experiências e bagagens dos dois, tanto no universo musical quanto na vida particular, refletindo em suas canções um punhado de referências e influências que vão do grunge feito em Seattle e do rock alternativo do Dinosaur Jr e Yo La Tengo ao shoegaze de bandas como My Bloody Valentine (ouça Memorabilia e tente encontrar a semelhança com o MBV).

Lançado de forma independente no último 8 de agosto deste ano, Intropologia é um mundo de possibilidades e rumos onde o ruído e melodia se encontram de forma bela e melancólica em clara apologia as décadas de 80/90, seja através das canções cantadas em inglês, português ou espanhol. Estréia excepcional!

Mais informações via Floga-se.

INTROPOLOGIA (2012), (gravado/mixado/masterizado porColetivo 4’33”), é um lançamento independente em parceria com os selos Balaclava Records (SP), Rajada Records (PA), Punch Drunk Discos (RS), Transfusão Noise Records (RJ) e Fora do Eixo(Casa FdE Porto Alegre). O disco físico deve sair em breve, mas ainda não tem data prevista.

A versão virtual, (album completo, com capa e letras) está disponível para download no site da Trama Virtual (Aqui Tem Trama).Você só precisa fazer um cadastrinho rápido no site (quem ainda não tem) e logar para poder baixar. O download é GRATUITO PRA VOCÊ, e remunerado para o artista, via patrocínios.

Baixem lá: http://tramavirtual.uol.com.br/artistas/medialunas

A arte da capa é de Fabio Viera, e a finalização gráfica de Gunther Natusch.

1. “Anthropod” 06:06
2. “Phantom Limb” 09:58
3. “Transmissor Down” 10:07
4. “Endoradiosonde” 06:52
5. “Benzedrine” 01:50
6. “Trace Wire” 05:37
7. “Epóxi” 05:02

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Por Al Schenkel

Formada em Seattle no ano de 1993, em uma classe de estudos de anatomia por Beth Liebling (aka Sadie 7 e ex-esposa de Eddie Vedder) e Ryan Shinn (aka Campbell 2000), a Hovercraft foi uma banda de rock experimental e instrumental que surgiu como oposição a predominância da cena grunge local.

Experiment Below foi o terceiro e último registro da banda, lançado em 22 de setembro de 1998 e que também contou com a integração de Ric Peterson (aka Dash 11) na bateria, o que daria um segmento mais visceral e angular à sonoridade proposta anteriormente pelo duo.

Algumas das influências e semelhanças da Hovercraft ficam por conta de nomes como Sonic YouthEinstürzende Neubauten, Amon Düül e Glenn Branca, nomes estes que ao longo do disco poderão ser identificados, dando algumas pistas sobre o direcionamento da sonoridade  proposta pela banda.

Após o lançamento de Experimente Below, a Hovercraft juntou-se a Mary Hansen, da francesa Stereolab para a gravação de um projeto chamado Schema, resultando na gravação de um mini disco homônimo em 2000. Enquanto planejavam uma turnê e um segundo disco, Hansen faleceu aos 36 anos de idade vítima de um acidente de trânsito enquanto andava de bicicleta.

The Dicks “Kill From The Heart” (1983)

Publicado: 3 de outubro de 2012 em Hardcore, Punk
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1. Anti-Klan (Part One)
2. Rich Daddy
3. No Nazi’s Friend
4. Marilyn Buck
5. Kill From the Heart
6. Little Boys’ Feet
7. Pigs Run Wild
8. Bourgeois Fascist Pig
9. Purple Haze
10. Anti-Klan (Part Two)
11. Right Wing/White Ring
12. Dicks Can’t Swim: I. Cock Jam / II. Razor Blade Dance

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Escrito por Eduardo Verme

Os The Dicks surgiram como uma banda punk/hardcore em Austin, Texas. Correndo sempre paralela à cena mais “mainstream” do punk, eles abriram pra nomes como Black Flag, Big Boys, MDC, DRI, Butthole Surfers, entre outras. Talvez seu momento de maior reconhecimento tenha vindo junto com música “Hate The Police” (que pode ser encontrada no single “The Dicks Hate The Police”, de 1980), que fala sobre o abuso policial e que acabou se tornando um pequeno “clássico B” do punk. A banda também ficou conhecida pelo fato do vocalista, o vegan Gary Floyd, ser um opositor à guerra do Vietnã e homossexual assumido (inclusive se travestindo em alguns shows). Segundo ele, “é mais fácil ser aceito no meio punk como homossexual do que no meio gay. Parece contraditório, mas o punk se apresentou mais tolerante a aceitar um cantor vistoso de moicano colorido e gay, do que o meio gay a aceitar um gay gordo de cabelo estranho e punk”. Floyd costumava chocar o público, contando de maneira grosseiramente particular seus envolvimentos sexuais, jogando fezes (falsas) – alguém ai gritou GG Allin? – e camisinhas cheias de esperma no público.

“Kill From The Heart”, de 1983, o álbum de estréia da banda (isso se não contarmos o split “Live at Raul’s Club”, de 1980, que foi realizado em parceria com o pessoal da The Big Boys) é hoje considerado uma das obras-primas do hardcore/punk. Um álbum sisudo, forte, raivoso e que atira pra todo lado, trazendo temas como a burguesia, o nazismo, o fascismo, a homossexualidade e os conflitos com a polícia, coisa corriqueira na vida dos Dicks. Desde a abertura, com “Anti-Klan”, passando pelas raivosas “No Nazi’s Friend”, “Pigs Run Wild” e “Bourgeois Fascist Pig”, o disco era repleto de revolta. E pra provar que Os Pintos não possuiam preconceitos musicais, eis que no meio da porra-louquice surge “Purple Haze”, cover de Jimi Hendrix, uma versão no mínimo curiosa, mas sempre respeitosa – ainda que respeitar não fosse o forte da banda.

Se alguém está se perguntando sobre como surgiu o nome da banda, The Dicks (“Os Pintos” ou “Os Caralh*s”), Floyd explica: “Parecia bastante desagradável e ofendia um monte de gente. Isso me ajudou a decidir. Eu gostava de ver os machões homofóbicos chegando e dizendo: ‘Eu gosto dos Dicks’.”

Morphine “Cure For Pain” (1993)

Publicado: 2 de outubro de 2012 em Alternative Rock, Jazz, Slowcore
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1 Dawna 0:44
2 Buena 3:19
3 I’m Free Now 3:24
4 All Wrong 3:40
5 Candy 3:14
6 A Head With Wings 3:39
7 In Spite Of Me 2:34
8 Thursday 3:26
9 Cure For Pain 3:13
10 Mary Won’t You Call My Name? 2:29
11 Let’s Take A Trip Together 2:59
12 Sheila 2:49
13 Miles Davis’ Funeral 1:41

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Por Gontijo Mendes

Em 1999 Mark Sandman nos deixou depois de um ataque cardíaco fulminante no meio de uma apresentação do Morphine em Roma, na Itália. Cure For Pain, segundo disco de estúdio da banda é provavelmente um dos discos mais belos dos anos 90′ e sua fusão entre rock/jazz com sax, bateria e um baixo de duas cordas acompanhado por uma voz única e medieval. Mark Sandman cravou essa obra prima cheia de beleza e melancolia assim como foi a sua morte, no mínimo poética.

01. The Vandelles – Lovely Weather
02. Vessel – Stillborn Dub
03. Caterpillar Hood – Vine Climb
04. Fountains – Easily Led
05. Bemônio – Ritos Iniciais
06. Gimu – Will I Ever Sleep Well Again?
07. VICTIM! – Crowd
08. Black Polygons – Symmetry
09. The Holiday Crowd – Never Speak Of It Again
10. Violens –Totally True
11. Observer Drift – Warm Waves
12. Pärson Sound – Tio Minuter

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Retomando as sessões das Mixtapes & Noisemates, partimos pra edição de número 4 e com ela a participação de Fernando Augusto Lopes, patrono e mente pensante por detrás do essencial e sempre instigante Floga-se, barsa diária de informações, esquisitices, barulheiras e distorções em geral, ou como o próprio Fernando adverte: “um site sobre algumas bandas boas e outras nem tanto.”

Dono de um gênio contestador e discurso inflamável, Fernando vem desde 2006 orquestrando suas opiniões sobre música e demais assuntos através do Floga-se, sua plataforma pessoal para achados, perdidos e atualidades, oferecendo ao jornalismo musical brasileiro uma inteligente alternativa e visão sobre a música que vem sendo e que foi produzida nos quatro cantos do mundo.

E dando sequência aos trabalhos aqui no Ride Into The Sound, que através das Mixtapes & Noisemates tenta explorar um pouco do universo e gosto pessoal dos convidados, deixo-lhes com as doze canções escolhidas por Fernando Augusto Lopes + texto super bacana sobre o que recentemente tem ganhado sua atenção nos meios musicais e os nomes que vem fazendo parte de sua trilha sonora particular. Leia, baixe e ouça!

A arte é do amigo Neri Rosa.

Texto por Fernando Augusto Lopes

Sabe aquela história que você sonhava quando era adolescente de ficar invisível, entrar numa loja de discos e pegar o que quiser, sem pagar, sem ser importunado, sem preocupações éticas e jurídicas? Pois bem, a Internet é essa grande loja. E mais do que isso: é um grande museu, pra vasculhar coisas antigas e obscuras; e um grande repositório de bandas novas. Tudo a seu dispor. Há quem saiba aproveitar bem isso. Não acho que seja exatamente o meu, caso, muito por falta de tempo, embora eu tente bastante. Ouço muito os amigos, aqueles que tenho afinidade de gosto musical. Facilita o meio de campo fazem o trabalho sujo por mim.

The Vandelles é um bom exemplo. Uma banda do Brooklyn, que mistura Suicide, The Zombies, Cramps e Jesus & Mary Chain merece ser ouvida. Tá com novo disco, “Strange Girls Don’t Cry”, que merece ser baixado. Mas a música escolhida é do primeiro disco, “Del Black Aloha”, lançado de maneira totalmente independente.

O Vessel é um inglês maluco, de nome afrancesado, Sebastian Gainsborough, de 22 anos, que lança um disco cheio de climas, “o “Order Of Noise”, em setembro de 2012. “Stillborn Dub” dá uma boa ideia do que ele pode criar. Mais ou menos na mesma linha viajandona do australiano do Caterpillar Hood e sua “Vine Climb”. Só climão. O disco “Evaporate” é todo nessa linha, cortado por umas guitarras meio sujas, vez por outra. “Easily Led” é uma amostra da Fountains, uma banda inglesa que mostra como seria se o Joy Division tentasse ser dream pop ou shoegaze. Tem só dois EPzinhos lançados, cinco músicas no máximo.

Uma das coisas mais legais de editar o Floga-se é que um mundo enorme de possibilidades se abriu pra mim, na minha ignorância musical. O pessoal da Transfusão Noise Records, da Popfuzz, da Sinewave e, agora, da TOC Label, sempre estão mostrando algo inusitado feito no Brasil. Coisas que eu nem imaginava que existiam ou pudessem existir. A maioria das pessoas acha que o mundo alternativo é só o desses indies-festivos do Baixo Gávea-Lapa-Rua Augusta (pra ficar no eixo RJ-SP), com suas barbas, violões e adoração cega da vida, algo meio desmiolado, e de repente dá de cara com um Bemônio. O Paulo Caetano, cabeça do projeto que lançou “Vulgatan Clemetinam”, seu primeiro disco, pela TOC, é um desses artistas que você tem que bater palmas, por ousar ir contra a maré e aceitar que talvez cem pessoas apenas, durante toda a sua existência, vão ouvir sua música. Mas são cem pessoas que vão ser profundamente afetadas por essa ousadia. Outra visão de mundo, outras sensações.

O mesmo vale pro Gimu, o Gilmar Monte, de Vila Velha, Espírito Santo, que produz numa quantidade absurda suas ambiências experimentais. O disco mais recente é o “All The Intricacies Of An Imaginary Disease”, de onde tirei “Will I Ever Sleep Well Again?”. Gostaria de ter tempo e atenção pra postar tudo o que esse cara produz. E pra Cadu Tenório, que tem trocentos projetos, alguns lançados de maneira independente, outros pela TOC e outros pela Sinewave. Deles, o mais absurdo e “inaudível” (no sentido de indecifrável) é o VICTIM!. Não sei o que achar do VICTIM!, a não ser que me surpreende a forma como os sons podem ser criados, compilados e vendidos num país ensolarado como o nosso. Isso no Japão talvez faça mais sentido. Mas é essa inversão que me atrai.

Cadu é outro que produz em ritmo absurdo. O VICTIM! lançou dois discos esse ano. Dois. “This Is What You Love, Young Man, And Isn’t Beautiful” é o mais recente, de onde tirei a insana “Crowd”.

Na mesma linha do Gimu, por exemplo, tem o francês Cyril Rampal e seu Black Poligons. “Symmetry” é do seu primeiro disco, homônimo, lançado no começo de 2012. Ele faz experiências eletrônicas, como o Kraftwerk fazia antes de “Autobahn”.

Pra não ficar só nas esquisitices, uma das bandas mais bacanas que conheci em 2012 foi a The Holiday Crowd. É uma imitação deslavada dos Smiths, como tantas e tantas outras, mas tudo bem. A banda é canadense e lançou um EP chamado “Over The Bluffs”, de onde tirei “Never Speak Of It Again”. O Violens é tranquilão também, uma sonoridade que muita gente já conhece, dream pop e tals. Mas fez um belíssimo segundo disco, “True”. “Totally True” é dele. Que canção assobiável! E um dos discos mais legais de 2012 é “Corridors”, do Observer Drift. Música linda, feita por Collin Ward, um adolescente estadunidense. Ouça “Warm Waves”, que fala por si só. Algo que só a Internet pode oferecer.

Assim como essa descoberta recente e maravilhosa, oferecida pelo amigo Al Schenkel, o Pärson Sound, suecos do final da década de 1960 e que nunca lançaram um disco de fato. Um espetáculo velvetiano que fez ganhar meu dia, minha semana, meu mês. Escolhi “Tio Minuter” porque é a música que Al me apresentou, mas sinceramente, é coisa fina o suficiente pra você baixar tudo o que eles fizeram.

Algo que só a Internet, essa loja gratuita, pode ofertar.