Ride Into The Sound “Mixtapes & Noisemates # 4” (2012)

Publicado: 1 de outubro de 2012 em Mixtapes & Noisemates
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01. The Vandelles – Lovely Weather
02. Vessel – Stillborn Dub
03. Caterpillar Hood – Vine Climb
04. Fountains – Easily Led
05. Bemônio – Ritos Iniciais
06. Gimu – Will I Ever Sleep Well Again?
07. VICTIM! – Crowd
08. Black Polygons – Symmetry
09. The Holiday Crowd – Never Speak Of It Again
10. Violens –Totally True
11. Observer Drift – Warm Waves
12. Pärson Sound – Tio Minuter

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Retomando as sessões das Mixtapes & Noisemates, partimos pra edição de número 4 e com ela a participação de Fernando Augusto Lopes, patrono e mente pensante por detrás do essencial e sempre instigante Floga-se, barsa diária de informações, esquisitices, barulheiras e distorções em geral, ou como o próprio Fernando adverte: “um site sobre algumas bandas boas e outras nem tanto.”

Dono de um gênio contestador e discurso inflamável, Fernando vem desde 2006 orquestrando suas opiniões sobre música e demais assuntos através do Floga-se, sua plataforma pessoal para achados, perdidos e atualidades, oferecendo ao jornalismo musical brasileiro uma inteligente alternativa e visão sobre a música que vem sendo e que foi produzida nos quatro cantos do mundo.

E dando sequência aos trabalhos aqui no Ride Into The Sound, que através das Mixtapes & Noisemates tenta explorar um pouco do universo e gosto pessoal dos convidados, deixo-lhes com as doze canções escolhidas por Fernando Augusto Lopes + texto super bacana sobre o que recentemente tem ganhado sua atenção nos meios musicais e os nomes que vem fazendo parte de sua trilha sonora particular. Leia, baixe e ouça!

A arte é do amigo Neri Rosa.

Texto por Fernando Augusto Lopes

Sabe aquela história que você sonhava quando era adolescente de ficar invisível, entrar numa loja de discos e pegar o que quiser, sem pagar, sem ser importunado, sem preocupações éticas e jurídicas? Pois bem, a Internet é essa grande loja. E mais do que isso: é um grande museu, pra vasculhar coisas antigas e obscuras; e um grande repositório de bandas novas. Tudo a seu dispor. Há quem saiba aproveitar bem isso. Não acho que seja exatamente o meu, caso, muito por falta de tempo, embora eu tente bastante. Ouço muito os amigos, aqueles que tenho afinidade de gosto musical. Facilita o meio de campo fazem o trabalho sujo por mim.

The Vandelles é um bom exemplo. Uma banda do Brooklyn, que mistura Suicide, The Zombies, Cramps e Jesus & Mary Chain merece ser ouvida. Tá com novo disco, “Strange Girls Don’t Cry”, que merece ser baixado. Mas a música escolhida é do primeiro disco, “Del Black Aloha”, lançado de maneira totalmente independente.

O Vessel é um inglês maluco, de nome afrancesado, Sebastian Gainsborough, de 22 anos, que lança um disco cheio de climas, “o “Order Of Noise”, em setembro de 2012. “Stillborn Dub” dá uma boa ideia do que ele pode criar. Mais ou menos na mesma linha viajandona do australiano do Caterpillar Hood e sua “Vine Climb”. Só climão. O disco “Evaporate” é todo nessa linha, cortado por umas guitarras meio sujas, vez por outra. “Easily Led” é uma amostra da Fountains, uma banda inglesa que mostra como seria se o Joy Division tentasse ser dream pop ou shoegaze. Tem só dois EPzinhos lançados, cinco músicas no máximo.

Uma das coisas mais legais de editar o Floga-se é que um mundo enorme de possibilidades se abriu pra mim, na minha ignorância musical. O pessoal da Transfusão Noise Records, da Popfuzz, da Sinewave e, agora, da TOC Label, sempre estão mostrando algo inusitado feito no Brasil. Coisas que eu nem imaginava que existiam ou pudessem existir. A maioria das pessoas acha que o mundo alternativo é só o desses indies-festivos do Baixo Gávea-Lapa-Rua Augusta (pra ficar no eixo RJ-SP), com suas barbas, violões e adoração cega da vida, algo meio desmiolado, e de repente dá de cara com um Bemônio. O Paulo Caetano, cabeça do projeto que lançou “Vulgatan Clemetinam”, seu primeiro disco, pela TOC, é um desses artistas que você tem que bater palmas, por ousar ir contra a maré e aceitar que talvez cem pessoas apenas, durante toda a sua existência, vão ouvir sua música. Mas são cem pessoas que vão ser profundamente afetadas por essa ousadia. Outra visão de mundo, outras sensações.

O mesmo vale pro Gimu, o Gilmar Monte, de Vila Velha, Espírito Santo, que produz numa quantidade absurda suas ambiências experimentais. O disco mais recente é o “All The Intricacies Of An Imaginary Disease”, de onde tirei “Will I Ever Sleep Well Again?”. Gostaria de ter tempo e atenção pra postar tudo o que esse cara produz. E pra Cadu Tenório, que tem trocentos projetos, alguns lançados de maneira independente, outros pela TOC e outros pela Sinewave. Deles, o mais absurdo e “inaudível” (no sentido de indecifrável) é o VICTIM!. Não sei o que achar do VICTIM!, a não ser que me surpreende a forma como os sons podem ser criados, compilados e vendidos num país ensolarado como o nosso. Isso no Japão talvez faça mais sentido. Mas é essa inversão que me atrai.

Cadu é outro que produz em ritmo absurdo. O VICTIM! lançou dois discos esse ano. Dois. “This Is What You Love, Young Man, And Isn’t Beautiful” é o mais recente, de onde tirei a insana “Crowd”.

Na mesma linha do Gimu, por exemplo, tem o francês Cyril Rampal e seu Black Poligons. “Symmetry” é do seu primeiro disco, homônimo, lançado no começo de 2012. Ele faz experiências eletrônicas, como o Kraftwerk fazia antes de “Autobahn”.

Pra não ficar só nas esquisitices, uma das bandas mais bacanas que conheci em 2012 foi a The Holiday Crowd. É uma imitação deslavada dos Smiths, como tantas e tantas outras, mas tudo bem. A banda é canadense e lançou um EP chamado “Over The Bluffs”, de onde tirei “Never Speak Of It Again”. O Violens é tranquilão também, uma sonoridade que muita gente já conhece, dream pop e tals. Mas fez um belíssimo segundo disco, “True”. “Totally True” é dele. Que canção assobiável! E um dos discos mais legais de 2012 é “Corridors”, do Observer Drift. Música linda, feita por Collin Ward, um adolescente estadunidense. Ouça “Warm Waves”, que fala por si só. Algo que só a Internet pode oferecer.

Assim como essa descoberta recente e maravilhosa, oferecida pelo amigo Al Schenkel, o Pärson Sound, suecos do final da década de 1960 e que nunca lançaram um disco de fato. Um espetáculo velvetiano que fez ganhar meu dia, minha semana, meu mês. Escolhi “Tio Minuter” porque é a música que Al me apresentou, mas sinceramente, é coisa fina o suficiente pra você baixar tudo o que eles fizeram.

Algo que só a Internet, essa loja gratuita, pode ofertar.

comentários
  1. Régis Garcia disse:

    Conhecendo coisa nova, lendo texto bacana e escutando música boa. É o meu “sombra e água fresca”.

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