V/A “Some Bizarre Album” (1981)

Publicado: 26 de fevereiro de 2013 em Electronica, New-Wave, Various Artists
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Some_bizzare

1. “Tidal Flow”, por Illustration 3:54
2. “Photographic”, por Depeche Mode 3:12
3. “[Untitled]”, por The The 3:24
4. “Moles”, por B-Movie 3:33
5. “I Dare Say This Will Hurt a Little”, por Jell 5:21
6. “Central Park”, por Blah Blah Blah 3:54
7. “Sad Day”, por Blancmange 3:10
8. “The Girl With the Patient Leather Face”, por Soft Cell 4:56
9. “Lust of Berlin”, por Neu Electrikk 2:46
10. “La Femme”, por Naked Lunch 5:23
11. “King of Rumbling Spires”, por The Fast Set 2:01
12. “Observations”, por Loved One 3:51

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Por Eduardo Verme

Numa época em que o futuro era concebido como um lugar recheado de aparatos eletrônicos, robôs e carros voadores, não é de se estranhar que a música também fluíssem de maneira parecida, com pessoas visionárias que enxergavam o futuro dos instrumentos acústicos condensados em botões e cabos.

Em 1981 uma espécie de visionário chamado Stephen John Pearce (mais conhecido como “Stevo”) fundou um selo chamado Some Bizarre Records, com a intenção de lançar no mercado bandas que se propunham a imaginar como seria o futuro da música através da experimentação eletrônica, algo bem próximo do que é o atual electrorock. Como um teste inicial, foi lançado no mercado uma coletânea de bandas que ainda não haviam assinado com nenhuma gravadora, que se chamou “Some Bizarre Album“.

O interessante nesse álbum é a variedade de sonoridades que encontramos, basicamente experimentações eletrônicas que, pra época, poderiam muito bem serem consideradas como algo bizarro. Entre altos e baixos, escutam-se verdadeiras preciosidades, músicas injustamente esquecidas e, quando buscamos informações sobre cada uma delas, encontramos histórias curiosas sobre como criaram vida e sobre como vieram parar neste disco. Porém o espaço é curto, então vou traçar um panorama geral sobre o disco sem me ater a muitos detalhes.

O disco começa em grande estilo, com os ingleses do Illustration tocando Tidal Flow, uma das músicas mais contemporâneas do álbum, com uma sonoridade incomum à época, unindo instrumentos acústicos com todo um aparato eletrônico que criam uma atmosfera misteriosa e dançante em certos momentos. Infelizmente a banda se desfez logo depois e a única pessoa que permaneceu no meio musical foi a pianista Julia Adamson. O disco segue com os garotos do ainda Depeche Mode e seu primeiro registro sonoro oficial, Photographic, a mesma do “Speak & Spell”, porém numa versão simplesmente arrebatadora, com quilos de sintetizadores e muita energia. Após, outra bela surpresa: a rapaziada do The The (quem não lembra de “Slow Emotion Replay”?) com Untitled, talvez a música com mais características electro do álbum, com uma sequencia reta de bateria eletrônica e uma guitarra distorcida ditando o ritmo pegajoso. Para quem não conhece os primórdios do The The, creio que é um prato cheio. B Movie é a próxima banda, que possui só um álbum lançado em 1985. Aqui, na minha opinião, a coletânea atinge seu ponto máximo. É a melhor música, definitivamente. Difícil catalogar o estilo do B Movie, é uma mistura de som pesado com uma atmosfera eletrônica por trás, sem perder a melodia. Grande som! Jell segue o álbum, uma banda bastante obscura, com uma música mais obscura ainda, uma pequena experimentação instrumental que é bacana, porém não possui o brilhantismo das bandas anteriores. E é a partir daqui que a qualidade do disco começa a ser posta em cheque. Uma maluquice chamada Blah Blah Blah encerra o lado A, com uma faixa experimental e minimalista, que, apesar de ser um pouco irritante, atende à exigência da coletânea ao ser descrita como uma música no mínimo bizarra. Lado A encerrado, viramos o LP.

De saída aparece Blancmange, banda synth com um tema pop e também seguindo uma linha minimalista, porém apresenta certas semelhanças com o que o Low viria fazer uma década depois e de forma mais madura. A banda se desfez após três álbuns, em 1986, mas retornou em 2006 e lançou álbum novo em 2011. Outra surpresa surge agora: Soft Cell, com uma composição esquisitíssima, da mesma fornada de Tainted Love, chamada The Girl With The Patent Leather Face, porém sem o mesmo brilho. Mas vale pela curiosidade. Neu Electrikk é a seguinte, com fortes influências de David Bowie, entrando pro time do “mais uma banda interessante que não vingou”, não vindo nunca a lançar um álbum. Naked Lunch rouba o nome do livro de Burroughs para oferecer o som do disco que possui mais influências da geração eletrônica da década de 70, soando muito próximo do que era realizado por bandas como Kraftwerk e Gary Numan. Também nunca lançou nada. The Fast Set chega na reta final, com uma música rápida e pouco inspirada, sem muita variação e com uma timbragem pobre. Encerra o disco a marcha fúnebre eletrônica – como prenunciando algo – Observations, dos The Loved One, que seguem uma linha industrial, trabalhando com semi-loopings e sequenciadores e com auxílio de instrumentos acústicos como guitarra e baixo.

Neste tom soturno o álbum se encerra, não tendo tido muito reconhecimento por parte do público, mas apresentando uma janela interessante onde foram expostas as bandas que faziam a “música do futuro” e também se tornando uma obscura referência para os futuros fãs da música eletrônica desses idos tempos de experimentalismos e sonhos eletrônicos. Numa visão geral, concluo que se 50% das bandas atuais que trabalham com programação buscassem ultrapassar os limites dos padrões estabelecidos, como estas bandas em sua época, hoje não precisaríamos descartar tantas músicas que no geral não trazem nada de novo, sendo meras cópias de tudo aquilo que já foi feito antes.

comentários
  1. tony disse:

    how do you dl from mega? it says I need flash but I am up to date thanx.

  2. TONY disse:

    HI IS THERE AN ALTERNATE LINK MEGA WON’T RECOGNIZE MY BROWSERS THANX

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