Arquivo de março, 2013

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01. Хрупко двух 4:37
02. La Cheval de Ma Vie 4:52
03. Слабый тигр 5:12
04. Снег мед 4:33
05. Белый черт ландыш 3:53
06. Лоскуток 4:18
07. Береговая осень 2:49
08. Какавелла 1:41
09. Стены и туманы 5:24
10. Тяга 5:48

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Por Carlos André

Стук бамбука в XI часов (na língua mãe de quem vos escreve, “uma batida no bambu às 11 horas”, ou algo que valha) se trata de um dos mais estranhos projetos não só musicais, mas artísticos como um todo, que passou por mim. Tal projeto teve início no final dos anos 80 por Konstantin Bagayev, Vasiliy Agafonov and Dmitriy Noskov, tendo adição de Tatiana Yerokhina poucos meses depois, antecipando muito de uma sonoridade que, mais tarde, seria chamada de Trip Hop. Valendo-se de sintetizadores soviéticos, sons pré-gravados em fita, dentre outros recursos rústicos até para a época, o quarteto gravou um álbum contendo 8 faixas (a versão original possuía 9, onde uma delas foi perdida na versão em CD lançada em 2000, porém, a versão “virtual” deste álbum possui duas faixas bônus, bem como alguns remixes) em 1991, criando um mundo sônico único, caracterizado não só por atmosferas densas sob opressão quase kafkiana, mas também por melodias envolventes e delirantes, o que torna este trabalho de fácil audição mesmo se valendo de uma concepção tão pouco ortodoxa. Porém, as dificuldades em conciliar o projeto musical e a vida pessoal de cada membro tornou a sua continuação impossível, tendo então o Стук бамбука в XI часов se dissolvido logo antes do lançamento deste trabalho. Mesmo com um fim tão melancólico quanto algumas das melodias que o permeiam, ficou o registro mais do que original e vanguardista, um prato transbordante para quem tem apreço por gente como Fever Ray, Massive Attack, Brian Eno, Portishead, Throbbing Gistle, bem como Trip Hop, Ambient, Industrial e os recantos mais obscuros da música eletrônica.

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01. Sonic Jesus – Somebody To Love (Jefferson Airplane) 05:09
02. The Concept – Rollercoaster (13th Floor Elevators) 06:27
03. Dreamweapon – Are You Experienced (Jimi Hendrix Experiece) 06:00
04. The Sorry Shop – Venus In Furs (The Velvet Underground) 07:50
05. Frantic Chant – Echoes (Gene Clark) 03:54
06. Robsongs – San Francisco (Scott Mackenzie) 03:43
07. Dead Rabbits – Funnel of Love (Wanda Jackson) 05:43
08. Sin Ayuda – Pare De Sonhar Com Estrelas Distantes (Ronnie Von) 04:32
09. The Red Plastic Buddha – I Had Too Much To Dream (Last NIght) (The Electric Prunes) 02:57
10. The Experience Nebula Room – Medley (Hush, T.N.U.C, Cinnamon Girl) 09:31

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Por Al Schenkel

Criado no final de 2012 pelas mãos de Renato Malizia, editor do blog homônimo, o The Blog That Celebrates Itself Records surgiu na cidade de São Paulo tendo como mote principal a propagação de estilos como shoegaze e psychedelic rock produzidos em terras tupiniquins, abrindo assim espaço para o lançamento físico e virtual de bandas underground nacionais além de alguns outros aliados vindos dos quatro cantos do mundo.

Lançado em 14 de março deste ano, o primeiro volume da coletânea Psychedellic Sounds of The Blog That Celebrates Itself  traz um apanhado de diversos artistas fazendo versões próprias para hinos psicodélicos da década de 60, elevando ainda mais a acidez em clássicos absolutos do Velvet Underground, Jefferson Airplane , Jimi Hendrix entre outros.

Ao todo são dez bandas participando da coletânea, sendo cinco delas nacionais e cinco internacionais, e os destaques ficam ao encargo dos italianos do Sonic Jesus reconstruindo “Somebody To Love”, do Jefferson Airplane, a gaúcha The Sorry Shop em uma versão shoegaze/psicodelica para “Venus In Furs”, do Velvet Underground e a releitura dos ingleses do Dead Rabbits para “Funnel of Love”, da Wanda Jackson.

Certamente uma grande iniciativa resultando em um trabalho extramente profissional. Baixe, compre, ouça e compartilhe!

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01. Vomitself 04.36
02. In Your Arms 02.43

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Por Al Schenkel

Após quase dois anos do lançamento do EP homônimo de 2011, a Flowed de Mário Alencar (Baixo e vocais), Leonardo Santiago (Guitarra), Davis Sampaio (Bateria) e Nick Mitchell (Guitarra), retornam as atividades com o single “Vomitself / In Your Arms”, lançado há exatos dois dias atrás, em 18 de março de 2013.

“Vomitself / In Your Arms” segue o clima de guitarras distorcidas e melodias grudentas, encontrando no shoegaze de bandas como Ride e no grunge psicodélico feito pelo Love Battery alguns pontos de referência pra sonoridade aplicada pelo quarteto vindo de Maceió. O single também abre caminho para Killing Surfers, EP novo com data de lançamento previsto ainda para o primeiro semestre deste ano.

Com gravação, produção e mixagem feitas por Márcio Júnior, masterização por Raoni Santos e capa por Mariana Hora, a Flowed segue somando junto a ótima leva de novas bandas barulhentas nacionais, mostrando com total afinco a qualidade de seu trabalho neste grande momento para a música independe do país.

4PAN1T

1.Sevens 1:32
2.Atmosfera 2:02
3.Blackmail 4:45
4.Enok 2:40
5.Tapefwd 3:00
6.Verano 2:32
7.Otamatune 3:25
8.Yerbah 4:08
9.Zeiss 5:19
10.Katneep (feat. Chelsea Kirby) 3:29

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Por Al Schenkel

Criado em 2007 pelo mexicano Gerardo Montoya, o Letters From Readers é um projeto de música eletrônica experimental e instrumental onde a criatividade não limita-se a um simples gênero, tendo como mote a estruturação sob diversas vertentes musicais como força motriz para suas criações.

Dot Dash, lançado em 11 de março de 2013 é o primeiro full-lenght da banda e conta com as participações dos músicos convidados Rodo Ibarra,Valentin Torres, Ruben Tamayo e Chelsea Kirby, sendo esta última responsável pelos vocais na ótima “Katneep”, única faixa não instrumental e uma das favoritas do álbum.

Inserções pelo post-rock, downtempo, krautrock e abstract music suturadas entre instrumentações sintéticas/orgânicas  fazem de Dot Dash e canções como “Atmosfera”, “Blackmail”, “TAPEFWD” e a já citada “Katneep” um dos discos mais interessantes deste início de ano, tornando-se ainda mais aplausível quando o intento vem a ser o de remar na direção contrária da obviedade e estagnação centradas na música pop mundial.

 

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01. Elevenate 3:36
02. Flat Truck 3:28
03. Torque 4:39
04. Monkies 3:24
05. Kak 4:48
06. Where’s Gala 4:24
07. Ground Zero 3:13
08. $1000 Pledge 6:02
09. The Final Nail 5:13
10. Pipeline 10:00

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Por Carlos André

Acredito que muitos que passam por aqui diariamente conhecem o trabalho do Loop, banda seminal para a formação do Shoegaze na terra da Rainha na virada dos anos 80 para os 90. Porém, imagino que poucos terão familiaridade com o nome The Hair & Skin Trading Company.

Com a dissolução do Loop em meados de 91, dois de seus ex-integrantes (Neil Mackay e John Willis) mergulharam de cabeça no TH&STC. Enquanto sua empreitada antiga era marcada por loops (sic) hipnóticos, dissonância caleidoscópica e uma psicodelia que unia os universos do Pink Floyd dos idos do Syd Barrett, do Spacemen 3 e do Jesus & Mary Chain, o TH&STC diverge para um caminho um pouco mais direto e palpável, enveredando-se pelos sítios do Krautrock, da verve mais agressiva do Shoegaze (The Telescopes serve como ilustração) e Post Punk a la Killing Joke, não tendo vergonha de explorar o Industrial tão efervescente à época, tal como The Young Gods, quando lhe convém.

Deixo-lhes, portanto, o debut da banda para download. Batizado de Jo in Nine G Hel, este nome bem pouco ortodoxo consiste em um anagrama dos nomes dos integrantes, Neil, Nigel and John. Criativo, não? Pois criatividade é algo que nunca faltou ao TH&STC e nem ao Mr. Mackay e Mr. Willis, somente o reconhecimento por tão influente legado que, mesmo após 20 anos, continua sendo uma pérola oculta a ser descoberta e degustada como se deve.

Front

1. Bored 3:58
2. You’re Gonna Die 2:52
3. November 22nd 1963 4:21
4. Meet The Creeper 4:55
5. Nobody Knows 3:25
6. What Do I Get? 4:14
7. Goin’ To Lose 2:53

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Com o nome inspirado em um filme de ficção científica cult japonês de 1968, o Destroy All Monsters nasceu em 1973 pelas mãos dos  estudantes de arte: Niagara, Jim Shaw , Mike Kelley e Cary Loren, sendo influenciados fortemente pela cultura underground mundial, difundida nas mais diversas manifestações artísticas: histórias em quadrinho, filmes noir, cultura beat, filmes de monstros, futurismo e afins.

Com a saída de Kelley e Shaw em 1976 e nenhum registro oficial realizado até então, Niagara e Loren deram continuidade ao DAM, recrutando os irmãos Larry e Ben Miller para assumirem respectivamente guitarra e saxofone, e cerca de seis meses depois Ron Asheton, ex-guitarrista dos Stooges e o ex-baixista do MC5, Michael Davis também se juntariam ao combo, trazendo ainda mais energia e causticidade ao grupo.

Entre inúmeros desentendimentos envolvendo os membros da banda e algumas trocas de integrantes, o Destroy All Monsters seguiu suas atividade até 1985, com apresentações esporádicas desde então. E apesar de pouca notabilidade, dos poucos singles lançados durante a vida e tendo a maior parte de sua discografia composta por compilações e bootlegs, o DAM conseguiu manter seu nome entre algumas das bandas mais abrasivas de sua geração, tendo seu núcleo de criação baseado sob o pretexto de ser uma reação direta às pretensões e complacência da música pop dos anos 70, ou sob um dos contextos mais honráveis e genuínos do rock and roll, contestação.

Bratislava “Carne” (2012)

Publicado: 1 de março de 2013 em Alternative Rock, Bandcamp, Indie Rock
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1. Jardim Asteca 03:49
2. Curandeiro de Velhos Perdidos 03:24
3. Mapa do Deserto 02:36
4. Discurso Batido 02:04
5. Aconchego 04:40
6. A Massa que dá fortuna 03:29
7. Carne 04:30
8. Fôssemos Gatos 03:22
9. Holga 03:01
10. C’Alma 05:06
11. Vermute 03:00
12. De onde não se vê o céu 03:57
13. Esperanza | Matschulat Remix 03:05

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Lançado em 21 de novembro de 2012, “Carne” é o primeiro disco cheio do quarteto paulistano Brastislava e sucessor do EP de 2011, intitulado “Longe do Sono”, primeiro trabalho da banda.

Composta pelos irmãos Victor Meira (baixo e vocais) e Alexandre Meira (guitarra e vocais), e pelos paulistanos Edu Barreto (guitarra) e Ricardo Almeida (bateria), a banda traz em seu primeiro disco cheio influências diversas que resultam em um belo e coeso trabalho  composto por 12 canções inéditas e 1 faixa do EP anterior, remixada pelo artista também paulistano Matschulat.

Em “Carne“, com a excelente produção de Claudio Machado, Fábio Santini, Luis Lopes e Victor Meira os músicos também contam com as participações especiais de Brunno Cunha (The Gramophones, Pitty) nos teclados; James Muller (Karnak, Funk Como Le Gusta) na percussão; Daniel Nunes (Constantina, Lise) nos beats eletrônicos; Thamires Tannous nos vocais; e Lucas Weier (Fernanda Cabral, Chimpanzé Club Trio) no acordeon.

Fiquem então com o rock alternativo de altíssima qualidade da Bratislava e com o vídeo recente para a ótima faixa instrumental que dá nome ao álbum, Carne. Altamente recomendado.

Informações adicionais: CARNE é o primeiro disco (full-length) da banda, com 12 canções inéditas e 1 faixa do EP Longe do Sono (lançado em 2011) remixada por Matschulat.

O disco conta a saga de um protagonista sem nome, que vaga por cenários realistas e absurdos – desde uma caminhada pela avenida Paulista até o vislumbre de um jardim asteca no meio do sertão – questionando seus próprios demônios e enigmas, botando em cheque os costumes sociais, a normalidade, os vícios da memória, a vida eterna e o paradoxo da perfeição.

Produzido por Claudio Machado, Fabio Santini, Luis Lopes e Victor Meira no estúdio C4, em São Paulo. CARNE conta com a participação dos amigos Brunno Cunha (teclados), Thamires Tannous (vozes), Daniel Nunes (beats eletrônicos), James Muller (percussão) e Lucas Weier (acordeon).