Kiergard “Enten-Eller” (2014) + Entrevista

Publicado: 27 de fevereiro de 2014 em Alternative Rock, Post-Punk, Post-rock, Shoegaze
Tags:, ,

kiergard

01.Enten-Eller 3:54

Download / Facebook

Por Al Schenkel

Como um feixe de luz esperançoso lançado sob a raquítica e anêmica cena autoral de Criciúma / SC, a Kiergard — adaptação livre sob o nome do filósofo e teólogo dinamarquês, Søren Kierkegaard — pariu em 15 de fevereiro deste ano seu primeiro rebento, o single Enten – Eller — nome também ligado ao autor, em referência à obra homônima e publicada em 1843.

Com a utilização de um sampler de Stalin em referência a um discurso proferido pelo mesmo ao final da 2ª Guerra Mundial mas sem tomar partido político algum, Enten – Eller surge numa soundscape crescente de urgência e melancolia, desfilando vocais em segundo plano, guitarras e baixo com fortes dosagens de delay e reverb e uma bateria sempre certeira e bem estruturada. A sonoridade alude aos gêneros shoegaze, post-punk, post-rock e rock alternativo dos anos 90 e de bandas contemporâneas.

Com produção, gravação, mixagem e masterização da própria banda, a Kierkard traz em sua formação Ticão Canella (guitarra), Beatriz Toledo (guitarra/voz), Mauro Fabian (baixo) e Ramon Macedo (Bateria). A arte da capa traz assinatura de Mauro.

Enten – Eller pode ser baixada gratuitamente ou no esquema “name your price” através do bandcamp oficial da Kiergard. E logo abaixo você poderá conferir uma pequena entrevista feita com Mauro Fabian, membro fundador, baixista e um dos compositores da banda. 

01.Conte-nos um pouco sobre o início da banda. Quais os propósitos, influências e sobre como a ideia de montar a Kiergard surgiu.
Não me recordo muito bem de ‘quais carnavais’ conheço a Beatriz, porém desde que nos conhecemos houve uma grande vontade de criar um projeto juntos, geralmente impossibilitado pelos compromissos com outras bandas naquela época. Há um ano atrás (ou quase um, não sei dizer ao certo), conseguimos um baterista e foram acontecendo alguns ensaios despretensiosos. Entre um cover e outro, conseguíamos tirar algumas jams bem interessantes e foram essas jams que incentivaram a nossa vontade de nos expressar com a nossa própria arte. Aos poucos fomos “abolindo” os covers dos nossos ensaios e focando cada vez mais nas jams, até eliminar completamente os covers do nosso repertório.
Passamos por algumas formações até chegar na atual mas posso afirmar que esta é a formação que é mais madura e consistente naquilo que entendemos como música.
Nossas influências passeiam por caminhos bem diferentes. Vamos do shoegaze, post-rock e rock progressivo ao HC e até mesmo ao doom metal. O mais interessante é que, na minha opinião, todas essas influências agem de uma forma meio simbiótica, aonde tu não consegue definir exatamente o que a Kiergard é mas tu sabe que há um pouco de tudo isso nela.

02.O nome da banda é uma adaptação livre sob o nome de Søren Kierkegaard e o primeiro single é homônimo a um dos livros do mesmo, certo? Qual a ligação da banda e sua sonoridade com a obra do autor?
Não há muito misticismo no nosso nome. Beatriz estava numa aula de filosofia e, justamente, Kierkegaard era a pauta naquele dia. Ela nos abordou depois de um ensaio e apresentou a ideia de nomear a banda como “Kiergard”, não houve objeções.
Compartilhamos de algum ou outro pensamento mas não somos totalmente adeptos à sua filosofia.

03.Como vocês veem a cena autoral de Criciúma e do Brasil e quais bandas nacionais vocês acham que valem serem ouvidas?
Particularmente, acredito que a cena autoral de Criciúma ainda é fraca. Parece haver uma filosofia instalada nos residentes da cidade que não deixa o individuo se dispor a ouvir uma música autoral sem ‘cruzar os braços’, ainda mais se for um som que saia dos padrões do rock clássico ou do HC. Vejo poucas pessoas com pouco conhecimento que envolva a cultura musical em si, pouco se consome daquilo que sai do nicho do roqueiro estereotipado. É triste como algumas pessoas não se permitem descobrir o mundo vasto e rico que há nas mais variadas vertentes musicais.
Nesses dez anos que estou no Brasil passei por algumas cidades e posso dizer que Criciúma tem muito a melhorar, mas para alívio de todos, ou pelo menos meu, as coisas parecem estar melhorando. Vejo que de alguns ano para cá tem havido um certa abertura ou uma leve sede de absorver coisas diferentes. Acredito que em alguns anos a cidade vá se tornar mais rica musicalmente.
Acredito que todas as bandas valem ser ouvidas, independentemente de gêneros.

04.Como tem sido a recepção das pessoas sob o trabalho da banda? Vale a pena manter uma banda independente onde o mercado raramente abre as portas pra novos artistas?
O nosso primeiro show foi no 12 Horas Rock e a recepção do público foi incrível, nenhum de nós esperava por isso. De lá pra cá temos feitos poucos shows, tem bastantes fatores mas acredito que há uma barreira com bandas de rock alternativo. Metade dos shows que participamos foram organizado ou tiveram alguma conexão com o Coletivo Murro.
Financeiramente ter uma banda autoral e independente não tem rendido nada além de bebida. Em compensação, área emocional, vem sendo uma experiência totalmente aditiva. Tem seus altos e baixos mas não consigo me ver vivendo sem isto. A banda e o ambiente musical se tornaram essenciais para minha existência.

05.Quais os planos pro futuro? Há material novo pra ser lançado e vocês podem adiantar alguma novidade ou detalhe?
Estamos na produção/gravação do nosso primeiro EP que será intitulado ‘1/4’. Não temos data prevista para o lançamento, até porque está sendo todo produzido por nós mesmo, o que torna o processo ainda mais demorado. Por enquanto é isso que posso adiantar.

06. Algumas palavras complementares para os leitores do Ride Into The sound e fãs da banda?
Primeiramente agradecer pelo espaço e a todos aqueles que tem acreditado no nosso trabalho. Em segundo lugar, mas não menos importante, gostaria de fazer um apelo para quem estiver lendo esta matéria: se permita, a vida é muito curta para seguir rótulos!
Certa vez me perguntaram se eu era roqueiro… respondi “Não, eu gosto de música.”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s