Arquivo da categoria ‘Krautrock’

fire

01. Exit! Part One 19:29
02. Exit! Part Two 24:54

CompreDownload / Facebook

Por Al Schenkel

Gravado ao vivo em janeiro de 2012 na sede da Fylkingen – o lendário centro de música vanguardista de Stockholm – Exit! traz uma performance visceral de Mats Gustafsson (The Thing), Johan Berthling (Tape) e Andreas Werliin (Wildbirds & Peacedrums) ao lado de 28 músicos suecos de jazz, improv. e avant-garde rock.

Com vocais de Mariam WallentinSofia Jernberg sob letras de Arnold de Boer of Dutch (da holandesa, The Ex),  o álbum, dividido duas metades, “Exit! Part One” e “Exit! Part Two”, o festim experimental gerido pela orquestra transcende a sobriedade da música contemporânea e em sua angular simbiose de free-jazz, free-improvisation e Krautrock entrega à arte o seu mais louvável enlevo: a ruptura ao lugar comum, dando-lhe em troca fluxos caóticos de poesia sonora, caos e atemporalidades.

Anúncios

a1695938539_10

1.Teraz widzę już tylko rzekę… 13:23
2.Let Din we-let dajjan 03:58
3.Tzimtzum 12:16
4.La Chair du Monde 03:24
5.Skryty 05:13
6.Adam Kadmon 02:34
7.Późne królestwo 13:11

Download / Facebook / Buy

Por Al Schenkel

Alameda 3 é uma banda surgida na cidade de Bydgoszcz, na Polônia lá pelos idos de 2010 e formada por Kuba Ziołek (Stara Rzeka, Ed Wood e Innercity Ensemble), Mikołaj Zieliński e Tomek Popowski, também membros da Stara Rzeka.

Com uma sonoridade calcada em drone-ambient, krautrock, japanese noise-psychedelia e rock-in-opposition, ou melhor dizendo, em uma fusão de ambos os estilos citados, o trio pariu em 20 de maio deste ano seu primeiro full-lenght, o disco de sete faixas intitulado Pozne krolestwo, aka de-longe-o-disco-mais-ácido-de-2013.

Trazendo como conceito principal por trás da obra a morte, tanto em níveis pessoais como universais, Pozne krolestwo pisa sem receio no experimentalismo, criando soundscapes altamente densas, ácidas, obscuras e hipnóticas, fazendo o Tame Impala soar como a trilha sonora de uma viagem de aspirina com suco de laranja. Fortemente recomentado!

cover

1.Capetinja 04:34
2.Mesmo que os amantes se percam, continuará o amor 06:03
3.As estrelas não são para os homens 05:13
4.Tau zero 03:43
5.E a morte perderá o seu domínio 05:47
6.Dezessete nós 04:39
7.Remédio para melancolia 05:06
8.A quarta hora 03:50

Download  / Site / Facebook

Por Al Schenkel

Idealizado em 2006 pelo baterista Richard Ribeiro (Guizado, Gui Amabis, Pélico, Labirinto, São Paulo Underground, entre outros) em meio a um projeto com os integrantes do Hurtmold e o trompetista americano Rob Mazurek, Porto é um duo paulista de música experimental que tem em sua outra metade o guitarrista convidado Régis Damasceno, membro da banda Cidadão Instigado.

Em Odradek, primeiro disco cheio do duo e lançado cinco anos após a estréia do projeto com o EP Fora de Hora, de 2008, o disco de oito faixas realizado de forma independente transborda experimentalismo e passeia com maestria por gêneros como jazz, psicodelia, ambient e krautrock, criando uma simbiose perfeita fusionada pelas bases sintetizadas, bateria acentuada e arranjos de vibrafone de Richard, junto as linhas excepcionais de guitarra elaboradas por Régis.

Odradek reflete a ótima fase a qual vive a cena experimental brasileira em uma amostra grandiosa tecida por dois dos mais prolíficos artistas nacionais. O disco também conta com uma digníssima produção executada por Bruno Buarque e pelo próprio Richard Ribeiro, além da masterização de Fernando Sanches e da arte assinada por Gustavo Rates .  O show de lançamento acontecerá hoje, dia 23 de agosto às 22hs na Serralheria, em São Paulo.

Abaixo você pode conferir uma entrevista de Richard publicada com exclusividade ao blog Amplificador:

O Porto é um projeto seu, certo?

Eu acabo fazendo as músicas, levo as composições pra ele (Régis) e a gente trabalha como dupla pra criar uma outra coisa, que é o que o público ouve. Tenho o início, as estruturas, alguns samples, mas ele contribui absurdamente pra isso virar uma outra coisa. Quando falo com ele, ele já entende. É uma relação de confiança, de afinidade muito grande. Tem uma música em parceria, a última do disco.

Como você escolheu os instrumentos do Porto?

O que mais me atraiu nesse projeto sempre foi a questão de trabalhar com menos elementos. Fugir do mais comum de ter baixo, teclado ou algum instrumento de sopro. Explorar outros aspectos musicais, criar vários ambientes diferentes. Eu sou baterista, então a bateria é natural. Quando eu estava começando a compor, precisei de um instrumento melódico pra poder tocar. Aí pensei num vibrafone, que me permite dividir a função. Toco bateria, conduzo a música e toco os temas. Quando eu vi já tava em cima do instrumento, fez sentido tocar os dois como uma peça só. As músicas eu faço no violão, na guitarra e eu queria a sonoridade da guitarra.

Qual o significado do nome do disco (“Odradek”)?

Ainda tô descobrindo. Veio de um livro do Henrique Villa-Matas. Um personagem que eu não consegui definir e aquiloo me encantou e me inspirou a arte do disco, ao som. Não tem uma definição, é mais uma sensação. Hoje dá pra fazer projetos paralelos com mais facilidade, né? É mais fácil sim, claro. Tudo depende de como você trabalha. Eu preciso de um estúdio pra ajeitar as coisas. Isso tem gasto om gravação, mas isso é arte do trabalho. Não sei fazer de outra forma, não tenho estúdio em casa. Preciso de engenheiro de som, de um estúdio.

Em alguns momentos eu tive a sensação de estar ouvindo a trilha sonora de um filme. Faz sentido?

A maneira que eu me envolvo com música tem a ver com criar  imagens. Às vezes é um chiado, uma batida de bateria que me traz uma sensação, mais que a necessidade de encontrar um tom, uma nota específica. Então faz sentido isso que você disse sim.

 

a0620457660_10

1.Suburban Roulette 01:26
2.Malvert 03:41
3.Ex-Batts 03:12
4.Travolto 01:10
5.Dmtbrigman 05:34
6.Bad Ronald 02:51
7.Becombs 01:59
8.Lohlands 07:38
9.Golden Needles 05:14
10.Horsehead Bookends 08:33

Download / Site

Por Carlos André

Quttinirpaaq não é somente o nome do segundo maior parque nacional do Canadá, situado numa ilha ao extremo norte do país, quase fronteiriça com a Groelândia. Mas também refere-se a um projeto musical oriundo de Austin, TX, e é desse último que iremos tratar agora. Poucas informações circulam pela web2.0 sobre o background desse grupo ou mesmo de seus integrantes, descobri apenas que o líder do projeto atende por Matt Turner. Sonicamente, Quttinirpaaq se dedica a construir massas sonoras de camadas super densas de fuzz e feedback guiadas por uma percurssão mezzo tribal, mezzo industrial, contando ainda com vocais ocasionais que emitem palavras e sussurros indecifráveis, sempre soterrados em meio a esta lama sonora. Cada peça que compõe o trabalho mais recente, No Visitors, viaja por labirintos obtusos do Krautrock, Drone, Dark Ambient, Sludge, Power Electronics e (ufa) Noise Rock, isso quando a demência não assume proporções ainda maiores e não tomam mais de um caminho simultaneamente. Ainda que essa capacidade de orbitar por caminhos diversos acabe prejudicando um pouco o resultado final do álbum, fazendo-o soar heterogêneo demais para alguns ouvidos, talvez, o que temos aqui é um trabalho magnífico de música torta, delirante e sufocante, algo que certamente vai fazer a festa auditiva para admiradores de gente do calibre de Skullflower, Godflesh, Les rallizes Dénudés, Bordeoms, Ufomammut, Can, dentre outros mestres afins.

CassetteArt.indd

1.Gustav Björnstrand 13:17
2.The Mass Of Betelguese 21:28
3.Inner Sanctum 20:02
4.Hello, SATAN 18:40

Bandcamp / Facebook

Por Al Schenkel

Com lançamento oficial agendado para o próximo 12 de abril deste ano,  Inner Sanctum vem a ser o terceiro registro oficial do quarteto escocês de Glasgow, The Cosmic Dead. Com gravações datadas a março de 2011, Inner Sanctum terá edição limitada apenas em K7 e contará com distribuição através do selo independente inglês de Sheffield, Evil Hoodoo.

Com quatro faixas distribuídas em cerca de 74 minutos, Omar Aborida, Julien Dicken, James T Mckay e Lewis Cook  soam em seu mais recente trabalho como a cria perfeita gerada a partir de um processo seletivo entre as singularidades mais expressivas de bandas como Hawkwind, Faust, Bardo Pond e Amon Düül, trazendo junto a música um enorme turbilhão de imagens, transições e oscilações sensoriais ao ouvinte, rendendo uma viagem sem precedentes diretamente ao âmago da experiência sonora proposta pelos quatro músicos.

Ouça também Orbiting Salvation, lançado em 15 de março deste ano. O restante da discografia deste combo prolífico você poderá encontrar para audição e compra no Bandcamp da banda.

Abaixo você pode conferir o sampler das canções que compõe o disco Inner Sanctum.

4PAN1T

1.Sevens 1:32
2.Atmosfera 2:02
3.Blackmail 4:45
4.Enok 2:40
5.Tapefwd 3:00
6.Verano 2:32
7.Otamatune 3:25
8.Yerbah 4:08
9.Zeiss 5:19
10.Katneep (feat. Chelsea Kirby) 3:29

Download / Buy / Facebook

Por Al Schenkel

Criado em 2007 pelo mexicano Gerardo Montoya, o Letters From Readers é um projeto de música eletrônica experimental e instrumental onde a criatividade não limita-se a um simples gênero, tendo como mote a estruturação sob diversas vertentes musicais como força motriz para suas criações.

Dot Dash, lançado em 11 de março de 2013 é o primeiro full-lenght da banda e conta com as participações dos músicos convidados Rodo Ibarra,Valentin Torres, Ruben Tamayo e Chelsea Kirby, sendo esta última responsável pelos vocais na ótima “Katneep”, única faixa não instrumental e uma das favoritas do álbum.

Inserções pelo post-rock, downtempo, krautrock e abstract music suturadas entre instrumentações sintéticas/orgânicas  fazem de Dot Dash e canções como “Atmosfera”, “Blackmail”, “TAPEFWD” e a já citada “Katneep” um dos discos mais interessantes deste início de ano, tornando-se ainda mais aplausível quando o intento vem a ser o de remar na direção contrária da obviedade e estagnação centradas na música pop mundial.

 

images

01. Elevenate 3:36
02. Flat Truck 3:28
03. Torque 4:39
04. Monkies 3:24
05. Kak 4:48
06. Where’s Gala 4:24
07. Ground Zero 3:13
08. $1000 Pledge 6:02
09. The Final Nail 5:13
10. Pipeline 10:00

Download / Download

Por Carlos André

Acredito que muitos que passam por aqui diariamente conhecem o trabalho do Loop, banda seminal para a formação do Shoegaze na terra da Rainha na virada dos anos 80 para os 90. Porém, imagino que poucos terão familiaridade com o nome The Hair & Skin Trading Company.

Com a dissolução do Loop em meados de 91, dois de seus ex-integrantes (Neil Mackay e John Willis) mergulharam de cabeça no TH&STC. Enquanto sua empreitada antiga era marcada por loops (sic) hipnóticos, dissonância caleidoscópica e uma psicodelia que unia os universos do Pink Floyd dos idos do Syd Barrett, do Spacemen 3 e do Jesus & Mary Chain, o TH&STC diverge para um caminho um pouco mais direto e palpável, enveredando-se pelos sítios do Krautrock, da verve mais agressiva do Shoegaze (The Telescopes serve como ilustração) e Post Punk a la Killing Joke, não tendo vergonha de explorar o Industrial tão efervescente à época, tal como The Young Gods, quando lhe convém.

Deixo-lhes, portanto, o debut da banda para download. Batizado de Jo in Nine G Hel, este nome bem pouco ortodoxo consiste em um anagrama dos nomes dos integrantes, Neil, Nigel and John. Criativo, não? Pois criatividade é algo que nunca faltou ao TH&STC e nem ao Mr. Mackay e Mr. Willis, somente o reconhecimento por tão influente legado que, mesmo após 20 anos, continua sendo uma pérola oculta a ser descoberta e degustada como se deve.

1 Goat Lips 6:57
2 Call Me Jesus 1:54
3 Nurser 10:58
4 The Man Who Never Was 4:21
5 Dangler 11:55
6 Y Toros 34:25

Download

Formada no ano de 1996 por membros das bandas  Panicsville, Killmen Dazzling, Mars Volta, Craw e Chalk a Laddio Bolocko foi uma banda de noise/avantgarde/math-rock de New York e que manteve suas atividades até 2001.

Com um curto período de vida, Drew St. Ivany, Ben Armstrong, Blake Fleming e Marcus DeGrazia lançaram três discos de estúdio através da Hungarian RecordsStrange Warmings of Laddio Bolocko, de 1997, In Real Time, de 1998 e o mini-álbum As If by Remote, de 1998. Em 2003 a No Quarter Records compilou estes três discos em um álbum duplo intitulado The Life & Times Of Laddio Bolocko, contendo dezesseis canções + filme em super 8 para As If By Remote. 

Com apenas seis canções em uma espécie de montanha russa sonora, Strange Warmings of Laddio Bolocko passeia por diversos estilos e influências, deixando claro que para chegar ao resultado assombroso deste experimento doses altíssimas de Faust, Can, This Heat, Slint, King Krinson e Albert Ayler foram ingeridas sem qualquer moderação. Obra prima obrigatória para amantes de dissonância, caos e sonoridades tortas em geral.

Camera “Radiate!” (2012)

Publicado: 24 de novembro de 2012 em Experimental, Krautrock, Minimalist
Tags:,

1 E – Go 6:55
2 Villon 4:03
3 Ausland 10:58
4 Lynch 5:52
5 Utopia Is 6:09
6 Rfid 4:57
7 Soldat 7:24
8 Morgen 6:07

Download / Buy

Por Al Schenkel

Gravado ao vivo em estúdio utilizando apenas um par de guitarras, um sintetizador e uma bateria, o trio alemão Camera aposta no krautrock como força motriz para conceber Radiate!, seu primeiro disco de estúdio.

Com roupagem nova sobre o legado deixado pelos conterrâneos Neu!, Faust, Can e Harmonia a banda originária de Berlin formada por Franz Bargmann (guitarra), Timm Brockmann (teclado) e Michael Drummer (bateria) mistura rock, minimalismo e experimentalismo de forma eficaz e costuma expressar sua música espontaneamente e sem permissão em lugares públicos como estações de metrô por exemplo, em shows cheios de improvisação e já tendo contado com participações dos lendários Michael Rother (NEU!, Harmonia) and Dieter Moebius (Cluster, Harmonia).

Lançado em 3 de agosto deste ano via Bureau B, Radiate! é um dos maiores representantes da nova geração de banda influenciadas pelo krautrock não sendo apenas uma cópia mas sim uma continuação e re-interpretação do gênero surgido há cerca de quarenta anos atrás.

CD1:
01 – Millionspiel
02 – Waiting for the streetcar
03 – Evening all day
04 – Deadly Doris
05 – Graublau
06 – When darkness comes
07 – Blind mirror surf
08 – Obscura primavera
09 – Bubble rap

CD2:
01 – Your friendly neighboughood whore
02 – True story
03 – The agreement
04 – Midnight sky
05 – Desert
06 – Spoon – Live
07 – Dead Pigeon Suite
08 – Abra cada braxas
09 – A swan is born
10 – The loop

CD3:
01 – Godzilla Fragment
02 – On the way to Mother Sky
03 – Midnight Men
04 – Networks of Foam
05 – Messer scissors fork and light
06 – Barnacles
07 – E.F.S. 108
08 – Private Nocturnal
09 – Alice
10 – Mushroom – Live
11 – One more Saturday night – Live

Download / Buy

Lançado em 18 de junho deste ano, The Lost Tapes é um box contendo três CDs com materiais inéditos, trilhas sonoras para TV e rádio, sobras de estúdio, improvisações e canções ao vivo gravados entre 1968-1977 pela banda alemã Can. Apesar do título, as fitas não estavam perdidas conforme explica Irmin Schmidt: “Obviamente, as fitas não estavam realmente perdidas, mas foram deixados nos armários de arquivos do estúdio por tanto tempo que todos se esqueceram delas.” O box, compilado a partir de cerca de 50 horas de gravações traz a tona um tesouro de valor e importância inestimáveis, dando segmento ao legado deixado por Holger Czukay, Michael Karoli, Jaki Liebezeit e Irmin Schmidt, além de Malcolm Mooney e Damo Susuki. Enfim, The Lost Tapes não vem a ser apenas uma peça qualquer esquecida e trazida a luz mas sim um item obrigatório na discografia desta que foi uma bandas mais excepcionais que o mundo já ouviu.