Arquivo da categoria ‘Shoegaze’

kiergard

01.Enten-Eller 3:54

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Por Al Schenkel

Como um feixe de luz esperançoso lançado sob a raquítica e anêmica cena autoral de Criciúma / SC, a Kiergard — adaptação livre sob o nome do filósofo e teólogo dinamarquês, Søren Kierkegaard — pariu em 15 de fevereiro deste ano seu primeiro rebento, o single Enten – Eller — nome também ligado ao autor, em referência à obra homônima e publicada em 1843.

Com a utilização de um sampler de Stalin em referência a um discurso proferido pelo mesmo ao final da 2ª Guerra Mundial mas sem tomar partido político algum, Enten – Eller surge numa soundscape crescente de urgência e melancolia, desfilando vocais em segundo plano, guitarras e baixo com fortes dosagens de delay e reverb e uma bateria sempre certeira e bem estruturada. A sonoridade alude aos gêneros shoegaze, post-punk, post-rock e rock alternativo dos anos 90 e de bandas contemporâneas.

Com produção, gravação, mixagem e masterização da própria banda, a Kierkard traz em sua formação Ticão Canella (guitarra), Beatriz Toledo (guitarra/voz), Mauro Fabian (baixo) e Ramon Macedo (Bateria). A arte da capa traz assinatura de Mauro.

Enten – Eller pode ser baixada gratuitamente ou no esquema “name your price” através do bandcamp oficial da Kiergard. E logo abaixo você poderá conferir uma pequena entrevista feita com Mauro Fabian, membro fundador, baixista e um dos compositores da banda. 

01.Conte-nos um pouco sobre o início da banda. Quais os propósitos, influências e sobre como a ideia de montar a Kiergard surgiu.
Não me recordo muito bem de ‘quais carnavais’ conheço a Beatriz, porém desde que nos conhecemos houve uma grande vontade de criar um projeto juntos, geralmente impossibilitado pelos compromissos com outras bandas naquela época. Há um ano atrás (ou quase um, não sei dizer ao certo), conseguimos um baterista e foram acontecendo alguns ensaios despretensiosos. Entre um cover e outro, conseguíamos tirar algumas jams bem interessantes e foram essas jams que incentivaram a nossa vontade de nos expressar com a nossa própria arte. Aos poucos fomos “abolindo” os covers dos nossos ensaios e focando cada vez mais nas jams, até eliminar completamente os covers do nosso repertório.
Passamos por algumas formações até chegar na atual mas posso afirmar que esta é a formação que é mais madura e consistente naquilo que entendemos como música.
Nossas influências passeiam por caminhos bem diferentes. Vamos do shoegaze, post-rock e rock progressivo ao HC e até mesmo ao doom metal. O mais interessante é que, na minha opinião, todas essas influências agem de uma forma meio simbiótica, aonde tu não consegue definir exatamente o que a Kiergard é mas tu sabe que há um pouco de tudo isso nela.

02.O nome da banda é uma adaptação livre sob o nome de Søren Kierkegaard e o primeiro single é homônimo a um dos livros do mesmo, certo? Qual a ligação da banda e sua sonoridade com a obra do autor?
Não há muito misticismo no nosso nome. Beatriz estava numa aula de filosofia e, justamente, Kierkegaard era a pauta naquele dia. Ela nos abordou depois de um ensaio e apresentou a ideia de nomear a banda como “Kiergard”, não houve objeções.
Compartilhamos de algum ou outro pensamento mas não somos totalmente adeptos à sua filosofia.

03.Como vocês veem a cena autoral de Criciúma e do Brasil e quais bandas nacionais vocês acham que valem serem ouvidas?
Particularmente, acredito que a cena autoral de Criciúma ainda é fraca. Parece haver uma filosofia instalada nos residentes da cidade que não deixa o individuo se dispor a ouvir uma música autoral sem ‘cruzar os braços’, ainda mais se for um som que saia dos padrões do rock clássico ou do HC. Vejo poucas pessoas com pouco conhecimento que envolva a cultura musical em si, pouco se consome daquilo que sai do nicho do roqueiro estereotipado. É triste como algumas pessoas não se permitem descobrir o mundo vasto e rico que há nas mais variadas vertentes musicais.
Nesses dez anos que estou no Brasil passei por algumas cidades e posso dizer que Criciúma tem muito a melhorar, mas para alívio de todos, ou pelo menos meu, as coisas parecem estar melhorando. Vejo que de alguns ano para cá tem havido um certa abertura ou uma leve sede de absorver coisas diferentes. Acredito que em alguns anos a cidade vá se tornar mais rica musicalmente.
Acredito que todas as bandas valem ser ouvidas, independentemente de gêneros.

04.Como tem sido a recepção das pessoas sob o trabalho da banda? Vale a pena manter uma banda independente onde o mercado raramente abre as portas pra novos artistas?
O nosso primeiro show foi no 12 Horas Rock e a recepção do público foi incrível, nenhum de nós esperava por isso. De lá pra cá temos feitos poucos shows, tem bastantes fatores mas acredito que há uma barreira com bandas de rock alternativo. Metade dos shows que participamos foram organizado ou tiveram alguma conexão com o Coletivo Murro.
Financeiramente ter uma banda autoral e independente não tem rendido nada além de bebida. Em compensação, área emocional, vem sendo uma experiência totalmente aditiva. Tem seus altos e baixos mas não consigo me ver vivendo sem isto. A banda e o ambiente musical se tornaram essenciais para minha existência.

05.Quais os planos pro futuro? Há material novo pra ser lançado e vocês podem adiantar alguma novidade ou detalhe?
Estamos na produção/gravação do nosso primeiro EP que será intitulado ‘1/4’. Não temos data prevista para o lançamento, até porque está sendo todo produzido por nós mesmo, o que torna o processo ainda mais demorado. Por enquanto é isso que posso adiantar.

06. Algumas palavras complementares para os leitores do Ride Into The sound e fãs da banda?
Primeiramente agradecer pelo espaço e a todos aqueles que tem acreditado no nosso trabalho. Em segundo lugar, mas não menos importante, gostaria de fazer um apelo para quem estiver lendo esta matéria: se permita, a vida é muito curta para seguir rótulos!
Certa vez me perguntaram se eu era roqueiro… respondi “Não, eu gosto de música.”

Rowland S. Howard – Pop Crimes (2009)

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01.(I Know) A Girl Called Jonny 3:51
02.Shut Me Down 4:21
03.Life’s What You Make It 6:43
04.Pop Crimes 7:23
05.Nothin’ 3:51
06.Wayward Man 3:43
07.Avé Maria 4:00
08.The Golden Age Of Bloodshed 4:31

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The Fall – The Unutterable (2000)

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01.Cyber Insekt 3:19
02.Two Librans 3:57
03.W.B 3:30
04.Sons of Temperance 3:47
05.Dr Bucks’ Letter 5:19
06.Hot Runes 2:18
07.Way Round 3:21
08.Octo Realm/Ketamine Sun 5:36
09.Serum 4:56
10.Unutterable 1:05
11.Pumpkin Soup and Mashed Potatoes 2:54
12.Hands Up Billy 2:47
13.Midwatch 1953 5:32
14.Devolute 4:36
15.Das Katerer 2:42

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Lightning Bolt – Ride the Skies (2001)

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01.Forcefield 4:01
02.Saint Jacques 4:13
03.13 Monsters 2:48
04.Ride The Sky 4:27
05.The Faire Folk 6:16
06.Into The Mist 2 3:21
07.Wee Ones Parade 5:18
08.Rotator 5:08

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Om – Conference of Birds (2006)

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01.At Giza 15:55
02.Flight Of The Eagle 17:27

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Greymachine – Disconnected (2009)

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01.Wolf At The Door 8:08
02.Vultures Descend 9:38
03.When Attention Just Isn’t Enough 6:42
04.Wasted 8:44
05.We Are All Fucking Liars 8:35
06.Just Breathing 5:09
07.Sweatshop 6:56
08.Easy Pickings 8:35

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Bourbon Princess – Dark of Days (2007)

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01.Still Asleep 4:49
02.The Waiting Noon 4:19
03.Blue Kitchen 4:26
04.The Hat 5:20
05.Dark of Days 5:24
06.Cliché 5:28
07.Supergirls Complaint 5:07
08.In Between Songs 5:18
09.Master Manipulator 4:04
10.Minor Key 3:24
11.So Much Time 4:30

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Kinski – Airs Above Your Station (2003)

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01.Steve’s Basement 9:54
02.Semaphore 6:06
03.Rhode Island Freakout 3:56
04.Schedule For Using Pillows & Beanbags 11:36
05.I Think I Blew It 7:59
06.Your Lights Are (Out Or) Burning Badly 8:43
07.Waves Of Second Guessing 8:22
08.I Think I Blew It (Again) 2:57

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Einstürzende Neubauten – Silence Is Sexy (2000)

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01.Sabrina 4:39
02.Silence Is sexy 7:00
03.In circles 2:30
04.Newtons Gravitätlichkeit 2:01
05.Zampano 5:40
06.Heaven Is of Honey 3:54
07.Beauty 1:59
08.Die Befindlichkeit des Landes 5:43
09.Sonnenbarke 7:49
10.Musentango 2:13
11.Alles (Ein Stück im alten Stil)4:43
12.Redukt 10:17
13.Dingsaller 5:46
14.Total Eclipse of the Sun 3:52

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Pia Fraus – In Solarium (2002)

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01.400 & 57 03:56
02.Right Hand Traffic 02:55
03.How Fast Can You Love 03:14
04.Outskirts of Me 03:49
05.No Need For Sanity 05:15
06.Octobergirl 03:55
07.The End Of Time And Space Like We Used To Know It Is After You Have Finished Your Tea Approximately At 5:07 pm 03:16
08.Bibabo 02:11
09.On You 04:09
10.Zodalovers 03:51

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Morphine – The Night (2000)

Morphine

01.The Night 4:48
02.So Many Ways 4:01
03.Souvenir 4:40
04.Top Floor, Bottom Buzzer 5:43
05.Like A Mirror 5:26
06.A Good Woman Is Hard To Find 4:14
07.Rope On Fire 5:36
08.I’m Yours, You’re Mine 3:46
09.The Way We Met2:59
10.Slow Numbers 3:58
11.Take Me With You 4:53

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Yo La Tengo – And Then Nothing Turned Itself Inside-Out (2000)

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01.Everyday 6:31
02.Our Way to Fall 4:18
03.Saturday 4:18
04.Let’s Save Tony Orlando’s House 4:59
05.Last Days of Disco 6:28
06.The Crying of Lot G 4:44
07.You Can Have It All” (Harry Wayne Casey and Richard Finch) 4:36
08.Tears Are in Your Eyes 4:35
09.Cherry Chapstick 6:11
10.From Black to Blue 4:47
11.Madeline 3:36
12.Tired Hippo 4:45
13.Night Falls on Hoboken 17:42

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Shellac – 1000 Hurts (2000)

shellac 1000 hurts

01.Prayer to God 2:50
02.Squirrel Song 2:38
03.Mama Gina 5:43
04.QRJ 2:52
05.Ghosts 3:36
06.Song Against Itself 4:13
07.Canaveral 2:38
08.New Number Order 1:39
09.Shoe Song 5:17
10.Watch Song 5:25

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Bardo Pond – Dilate (2001)

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01.Two Planes 7:26
02.Sunrise 5:26
03.Inside 11:43
04.Aphasia 6:02
05.Favorite Uncle 5:58
06.Swig 4:22
07.Despite the Roar 7:07
08.LB 8:31
09.Hum 3:43
10.Ganges 11:23

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Nina Nastasia – Dogs (2000)

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01.Dear Rose 1:32
02.Oblivion 2:15
03.Judy’s In The Sandbox 3:15
04.Underground 3:14
05.A Dog’s Life 2:45
06.A Love Song 3:01
07.Stormy Weather 2:59
08.Smiley 2:56
09.Roadkill 1:55
10.Nobody Knew Her 4:25
11.Too Much In Between 2:33
12.Jimmy’s Rose Tattoo 3:30
13.The Long Walk 3:01
14.All Your Life 3:45
15.4 Yrs 2:48

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Snowman – The Horse, the Rat and the Swan (2008)

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01.Our Mother (She Remembers) 2:58
02.We Are The Plague 3:27
03.The Gods Of The Upper House 4:04
04.The Blood Of The Swan 3:43
05.Daniel Was A Timebomb 2:37
06.A Re-Birth 3:25
07.She Is Turning Into You 5:36
08.The Horse (Parts 1 and 2) 6:00
09.Diamond Wounds 6:16

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Ajude a Lautmusik a levantar fundos para a conclusão de seu segundo videoclipe. A música escolhida para o trabalho é Tugboat, faixa do disco Lost in the Tropics, lançado em 2011 e a ajuda vai de R$ 15 a R$ 1 mil, tendo em cada quantia uma premiação relacionada. Assista o vídeo acima e abaixo você poderá conferir o objetivo em detalhes para o crowdfunding. O Site para a colaboração direta é este aqui: Catarse.

O PROJETO
Em 2011 lançamos nosso primeiro clipe, realizado pelos parceiros da Baxada Nacional. Ficamos contentes com o resultado, mas nem sonhávamos com o que ainda estava por acontecer. Num belo dia recebemos uma ligação: era uma produtora dizendo que a banda estava sendo cotada pra abrir pro The Cure no Brasil. “Tem material pra mandar pro Robert Smith? Tem que ser vídeo.” Ele viu o clipe, gostou e nos chamou pra abrir o show de SP – um grande feito pra uma banda independente! Queremos fazer outro vídeo, porque quem sabe o que mais pode acontecer de bom a partir dele?

A BANDA
A LAUTMUSIK foi formada no outono de 2006 em Porto Alegre. Depois de 2 EPs, “Black Clouds with Silver Linings” (2007) e “A Week of Mondays” (2008), lançamos no final de 2011
 nosso primeiro álbum, “Lost in the Tropics”, produzido por Eduardo Suwa
 e masterizado nos EUA por Black Dog Studios. O disco foi incluído nos 
Top 10 de 2011 da Trama Virtual e em várias listas de melhores do ano
 em todo o Brasil, e concorreu ao Prêmio Dynamite 10 Anos na categoria
 melhor álbum de rock. Também no fim de 2011, lançamos nosso primeiro clipe, “Mai”, que entrou na programação da MTV Brasil, Canal
 Brasil e PlayTV e também apareceu na NME online. Em 2012 abrimos dois shows internacionais – o dos suecos do The Radio Dept. no Beco SP e o dos novaiorquinos do A Place to Bury Strangers no Beco POA. Em 2013, a Laut foi escolhida por Robert Smith pra abrir o show do The Cure na Arena Anhembi, em SP.

O PROJETO
A música escolhida é Tugboat, do álbum Lost In The Tropics, que é “uma metáfora sobre o rebocador, que consegue conduzir um navio muito maior do que ele próprio – uma vez o navio esteja num porto seguro, ou em mar aberto, cada qual segue o seu caminho. É algo que acontece bastante, mas às vezes nem notamos: todo mundo pode aprender e ensinar alguma coisa em praticamente qualquer situação da vida”.

Para realizar este projeto, buscamos mais uma vez a parceria da Baxada Nacional Filmes, responsável por nosso videoclipe de estreia. A produtora tem em seu currículo a realização de vários vídeos e foi indicada ao VMB 2009 de melhor clipe do ano com a música “Casa Abandonada”, da banda gaúcha Pública.

Importante! Nem a banda nem a produtora vão ser remunerados pelo clipe – só orçamos no projeto os custos de produção.

Estimativa de custos para realização do clipe:
Equipe Técnica R$ 1.000,00
Produção R$ 1.000,00
Luz R$ 2.000,00
Arte e Figurino R$ 500,00
Alimentação R$ 500,00
Execução R$ 1.000,00
Taxas e Impostos R$ 750,00
13% Catarse R$ 1.010,00

TOTAL R$ 7.760,00

Links de referência:
http://www.facebook.com/Lautmusik
http://www.soundcloud/lautmusik
http://www.baxadanacional.com.br

Ficha Técnica:
Realização: Baxada Nacional Filmes
Direção e Roteiro: Filipe Barros
Direção de Produção: Lucas de Andrade
Direção de Fotografia: Eduardo Rosa
Edição e Finalização: Filipe Barros
Produção: Pedro Ivo Borges

The Sorry Shop

Por Al Schenkel

Lançado no dia 1º de maio deste ano, Mnemonic Syncretism é o segundo disco cheio do sexteto rio grandense de shoegaze, The Sorry Shop. A banda, formada por Régis Garcia, Marcos Alaniz , Mônica Reguffe, Rafael Rechia, Kelvin Tomaz e Eduardo Custódio em maio de 2011, vem consolidando seu nome entre alguns dos maiores representantes da atual cena alternativa/underground nacional, empunhando com louvor uma sonoridade iniciada há cerca de três décadas atrás e reverenciada através de grande artistas como My Bloody Valentine, Slowdive e Dinosaur Jr.

Em Mnemonic Syncretism a proposta inicial da The Sorry Shop, assim como nos trabalhos anteriores — Thank You Come Again EP, de 2011 e Bloody, Fuzzy, Cozy, de 2012 — segue mantida a todo vapor, tendo como objetivo fusionar wall of sounds poderosos e densos sobre estruturas musicais delicadas e vocais doces e introspectivos, fórmula aliás atingida com maestria, resultante da ótima fase criativa na qual os músicos gaúchos se encontram. Também é notável a evolução dentro do processo de produção e gravação do álbum, mérito de Régis Garcia, verdadeiro mágico da cultura DIY e um dos núcleos criativos da banda.

Logo abaixo você poderá conferir então um faixa a faixa exclusivo escrito por Régis Garcia sobre as dez músicas que compõe Mnemonic Syncretism, podendo assim assimilar as suas concepções sobre a criação de cada canção e entender um pouco sobre o universo particular do músico e suas inspirações.

01. Star Rising

Quando decidimos a ordem do disco, foi impossível não pensar na Star Rising como faixa de abertura. Logo que acabamos o “Bloody, Fuzzy, Cozy”, já tínhamos algumas ideias na cabeça (ou até gravadas), como foi o caso da Star Rising. Nesse sentido, pela proximidade com o álbum anterior, dá pra perceber que ela tem um semblante bem semelhante ao das músicas mais antigas. Quando eu escuto a Star Rising abrindo o disco, sempre tenho a sensação de que há alguma espécie de elo conectivo com o trabalho prévio e isso me agrada. Também gosto do andamento dela, uma coisa meio monótona, mas ainda assim com um movimento ascendente.

 

02. Cold Song

A Cold Song, na verdade, partiu de uma ideia que acabou virando outra música, a “Silkworm”, que ficou de fora do disco. Quando o Marcos trouxe a letra pra gente, percebi que ela ficaria bem mais interessante da maneira que ficou. Gosto da estética invernal dela, um clima meio azulado. A letra tem menção ao clima de julho, frio aqui no sul do Brasil. Achamos engraçado que alguém na América do Norte, por exemplo, escute e pense que estamos loucos falando, em língua inglesa, do frio no verão. Mas tudo bem, nosso contexto é esse e é sobre ele que sabemos falar. O frio aqui é meio assim mesmo: ele vem em ondas, sopra na praia e faz um movimento de areia levantando, como se passassem cavalos correndo e levantando poeira. A paisagem da janela do Marcos é essa, dá diretamente pra praia do Cassino, uma das maiores em extensão do mundo. Além de estarmos literalmente na borda do mundo, como a letra também sugere, dá pra entender essa sugestão como uma metáfora de introspecção, do olhar marginal, de quem realmente está na borda, longe do centro, tentando entender e absorver o resto do mundo. Em relação ao instrumental, o que mais gosto nela é baixo preguiçoso, denso e bagunçado, bem simples, que por vezes carrega a música um pouco pra trás.

03. Rooftops of Any Town

É uma faixa bem crua e direta. Quando estava pensando no contexto do disco, antes de criar a Rooftops, eu sentia muita falta de algo um pouquinho mais visceral. Ela é tão simples que não passa de uma bateria marcada, baixo distorcido e um par de riffs simples de guitarra. Mesmo assim, quando ela ficou pronta, sentimos falta de uns “tapa buracos” na música e, então, o Rafa Rechia providenciou uns feedbacks bacanas e uns ruídos que completaram ela. É, sem dúvida, uma das mais divertidas ao vivo, daquelas que funcionam se esticadas por bastante tempo, abusando do barulho. A letra também tem relação com nosso contexto, ou de qualquer cidade por aí. É a imagem geral daquela velha paisagem urbana que a gente conhece por inteiro, por onde a gente pode se mover de olhos vendados, onde a gente cresceu e, em um determinado momento, acaba por se tornar uma simbiose e a gente já não sabe mais qual a diferença entre aquilo que nos circunda e a nossa própria
subjetividade.

04. Sulfur

A Sulfur foi a primeira a ficar pronta e ia ser lançada um mês antes do disco ficar pronto, como single. Na verdade, ela passou uns seis ou sete meses pronta, esperando a letra. Em um determinado momento, acabamos estourando o prazo para ela ser liberada como single. Estava bem difícil organizar ela com letra e vocais (que só começaram a ser gravados bem no fim do processo todo do disco). Para piorar a situação dela, enquanto trabalhava gravação dos vocais, acabei tendo problemas no HD externo onde estavam os projetos das músicas da The Sorry Shop e a Sulfur desapareceu. O que temos dela é um bounce da mix final (quase provisória) feita logo no início do processo de gravação e mixagem do disco. Foi, por um lado, interessante que isso tenha acontecido, já que ela foi, por isso, um norte para todo conjunto do álbum. A letra da Sulfur tem relação com a necessidade de seguir em frente, de esquecer algo que passou e deixar de lado o passado. Contudo, quando isso acontece, pode ser que tenhamos que enfrentar demônios e infernos particulares e aprender a lidar com eles.

05. Protect

É, possivelmente, a minha faixa favorita. Gosto demais, além de tudo, da letra dela, que foi uma parceria entre o Marcos e eu. Também gosto muito da maneira como ela se desenvolve, sem grandes nuances, nem riffs muito marcantes ou distintos. O linha principal de guitarra é uma variação entre tônica e oitava, de uma mesma nota, afundada em distorção, delay e reverb. É singelo. O arranjo dela, pra mim, tem algo de hipnótico, acho que por ter uma qualidade meio elíptica. Ao vivo ela tem ficado bem ficado bem interessante, com um groove diferente que, por vezes, remete a uns lances mais psicodélicos lá de 60 ou início de 70. Um pouco ela também é uma ode ao MBV.

06. Mnemonic Syncretism

Essa quase vinheta, toda instrumental mesmo, foi gravada por completo no dia anterior ao lançamento do disco. Eu já tinha ideia de algo que fosse uma introdução para a Know Me Right, faixa seguinte do disco, mas ainda não a tinha testado. Enquanto terminávamos o disco, começamos a ensaiar para os shows do lançamento. No último ensaio, tentando buscar uma alternativa para a introdução da Know Me Right, o Rafa acabou aparecendo com a ideia harmônica que deu vida para a Mnemonic Syncretism. Fiquei com aquilo na cabeça, amadurecendo a ideia e, quando não tinha mais tempo pra parar e gravar nada, gravei a faixa homônima ao título do disco. Acho que a posição dela no álbum é bem favorável ao contexto geral da obra. É como um respiro, uma pequena meditação para limpar os ouvidos e depois voltar a escutar a próxima parte com mais atenção.

07. Know Me Right

A Know Me Right é uma música bem fácil, reta, simples. O que mais meagrada nela é a letra, que tem relação com a solidão e a impessoalidade no meio de tanta coisa, tanta informação e tanta gente. Todo mundo é observador, o voyeurismo não é mais apenas um fetiche, é uma solução pra conseguir lidar com o fluxo contínuo de dados, imagens, sons, textos, a que somos submetidos diariamente. Estar no quarto e com tanto contato com o mundo soa como escapismo, uma variação perversa do que foi fugir para o campo ou para as imensidões vastas em outros momentos da história recente da civilização. Ao mesmo tempo em que observamos, estamos sendo observados, devorados e julgados. É um duo esquizofrênico ao qual nos acostumamos e, mais estranhamente, nos sentimos confortáveis e nos acalentamos. O engraçado é que, de longe ela parece otimista, quem sabe pela harmonia e levada, mas definitivamente é uma música muito fatalista.

08. Away to Mars

Demorou pra ficar pronta e é lotada de camadas e mais camadas de guitarra, além de muitas texturas. Acho que foi a faixa mais fácil de fazer pela liberdade que acabamos assumindo nela. A ideia principal nela veio de uma linha aleatória de guitarra, que gravei solta, só com o metrônomo. Eram frases pequenas que eu ia repetindo e alternando. A parti daí fui adicionando todas outras camadas até ficar satisfeito, cada uma da mesma maneira que a primeira, sem necessariamente um foco na composição e sem visar um resultado final específico. Pra fechar a faixa, acabamos gravando uma microfonia da guitarra do Kelvin Tomaz, num fim de ensaio, sem que ele estivesse escutando a faixa e ainda sem ter sido devidamente apresentado ao resultado parcial dela. Pra mim é o elemento mais bacana da coisa toda. O resultado final é bem interessante e toma o mesmo contorno da letra e da proposta interna da faixa. A letra, por sinal, é pro Major Tom.

09. The Lesser Blessed

Relutei bastante ao ponderar sobre lançar a The Lesser Blessed. Gosto demais dessa faixa, mas às vezes não via ela no contexto do disco. O que mais me motivou a lança-la foi a possibilidade de homenagear o Richard Van Camp, escritor de um belo livro, cujo título deu o nome a essa faixa. A letra é baseada na trajetória da personagem Larry, protagonista do livro do Van Camp. Não vou fazer spoiler aqui, é um livro baratinho, vale a pena ler. O mais legal foi que assim que o disco saiu, mostrei ela diretamente pro autor, que foi bastante gentil e disse que acho bem legal. Foi muito bom saber que ele achou interessante, principalmente por ter lido que durante a escrita do livro (como consta nos agradecimento na última página) ele escutou bastante Slowdive, MBV e por aí vai. É um cara com referências. Também gosto muito da suavidade do vocal da Mônica nessa música.

10. Awaken Dream

Desde que ficou pronta, a Awaken Dream, pra mim, é uma das faixas mais visuais da banda. Não gosto muito do termo, mas acho que ela tem uma característica bastante onírica. O Marcos fez a letra dela pensando no “Labirinto” e no Bowie. Por ser uma faixa bastante visual, que oferece algumas imagens nubladas, borradas, como a própria letra sugere, me parece que é uma das boas candidatas pra ganhar um registro visual que acompanhe a faixa. A pegada dela ao vivo é ótima, dá pra experimentar bastante tocando.

 

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1.Star Rising 03:58
2.Cold Song 04:17
3.Rooftops of Any Town 02:21
4.Sulfur 04:06
5.Protect 04:41
6.Mnemonic Syncretism 02:52
7.Know Me Right 04:24
8.Away to Mars 04:07
9.The Lesser Blessed 04:14
10.Awaken Dream 03:58

Confira o disco e baixe gratuitamente através do bandcamp oficial da The Sorry Shop, aqui: http://thesorryshop.bandcamp.com/

As+High+as+the+Highest+Heavens+and+From+the+Center+TrueWidowAsHighAsTheHighest

01. Jakyl 5:50
02. Blooden Horse 7:05
03. N.H. 6:40
04. Skull Eyes 3:45
05. Wither 5:10
06. Boaz 7:22
07. Night Witches 3:16
08. Interlude 0:56
09. Doomseer 9:06

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Por Carlos André

True Widow consiste em um trio texano formado em 2007, cujos integrantes atendem pelas alcunhas de D.H., Nikki e Slim. Não muito depois de sua fundação, os cidadãos surgem ao mundo com um álbum auto-intitulado no fim de 2008, arrebatando tudo com uma mistura devastadora de Stoner Metal, Sludge, Shoegaze e Slowcore. Nomes como jesu, Pelican, Mogwai, Slowdive e, principalmente, o sempre infelizmente esquecido Codeine vem a mente conforme as suas músicas tomam seu rumo, ainda que a verdadeira viúva tenha uma identidade tão marcante a ponto de eliminar qualquer ambiguidade. Em meio a toda essa névoa densa e pegajosa, veio a tona o segundo trabalho, intitulado “As High as the Highest Heavens and From the Center to the Circumference of the Earth”. Nome pequeno e fácil de decorar, não acham? Nele, os norte-americanos refinam ainda mais sua verve sônica, nos trazendo um álbum delicioso para ser degustado em dias preguiçosos e vagarosos. Sem dúvidas, um dos projetos mais intensos e diferenciados na ativa atualmente, sendo não mais do que sua obrigação conferi-los e apreciá-los.

“True Widow, who grabbed those lackadaisical grunge breakdowns we didn’t even realize we missed, and drew them out in an epic swell of apathy and stoned whateverness”.

8-500

01. Lost Drive-In 3.59
02. Trigger Warning  1.45
03. Mountain View Acid Test 2.20
04. Witch Hunt 5.06
05. Komura Freak 2.50
06. Supernatural Darkness 6.03
07. Peace Eye 4.30
08. Singularity 4.56

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Com o lançamento oficial realizado no dia de hoje, 22 de abril de 2013, Witch Tales vem a ser o sétimo disco da brasiliense/paulistana FireFriend e sucessor poderosíssimo e a altura de 999 To 666 TS Street, um dos discos mais bacanas lançados em 2011 (baixe o disco aqui).

Formada em 2006 e contando atualmente com Yury Hermuche, Júlia Grassetti, Pablo Orue e Cacá Amaral em sua formação, o quarteto investe pesado na dissonância, ruídos e experimentações, trazendo em seu mais novo rebento uma fusão estarrecedora e com poucos precedentes qualitativos em parâmetros nacionais e de genêro, encontrando nas raízes do shoegaze, free-jazz e psychedelic-rock a força motriz e direcionamento para a exploração hipnótica, brilhante e ousada presentes em Witch Tales.

Ouça canções como “Lost Drive-In”, “Trigger Warning”, “Mountain View Acid Test”, “Witch Hunt”, “Supernatural Darkness” e prove da beleza e acidez mútua propostas pela banda sem medo algum de perder-se pelo universo tortuoso e lânguido submersos em cada detalhe e nota desta grande obra.

OBS.: As versões físicas assim como a discografia completa e gratuita para download você encontra no site oficial da banda, aqui : FireFriend

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01. Sonic Jesus – Somebody To Love (Jefferson Airplane) 05:09
02. The Concept – Rollercoaster (13th Floor Elevators) 06:27
03. Dreamweapon – Are You Experienced (Jimi Hendrix Experiece) 06:00
04. The Sorry Shop – Venus In Furs (The Velvet Underground) 07:50
05. Frantic Chant – Echoes (Gene Clark) 03:54
06. Robsongs – San Francisco (Scott Mackenzie) 03:43
07. Dead Rabbits – Funnel of Love (Wanda Jackson) 05:43
08. Sin Ayuda – Pare De Sonhar Com Estrelas Distantes (Ronnie Von) 04:32
09. The Red Plastic Buddha – I Had Too Much To Dream (Last NIght) (The Electric Prunes) 02:57
10. The Experience Nebula Room – Medley (Hush, T.N.U.C, Cinnamon Girl) 09:31

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Por Al Schenkel

Criado no final de 2012 pelas mãos de Renato Malizia, editor do blog homônimo, o The Blog That Celebrates Itself Records surgiu na cidade de São Paulo tendo como mote principal a propagação de estilos como shoegaze e psychedelic rock produzidos em terras tupiniquins, abrindo assim espaço para o lançamento físico e virtual de bandas underground nacionais além de alguns outros aliados vindos dos quatro cantos do mundo.

Lançado em 14 de março deste ano, o primeiro volume da coletânea Psychedellic Sounds of The Blog That Celebrates Itself  traz um apanhado de diversos artistas fazendo versões próprias para hinos psicodélicos da década de 60, elevando ainda mais a acidez em clássicos absolutos do Velvet Underground, Jefferson Airplane , Jimi Hendrix entre outros.

Ao todo são dez bandas participando da coletânea, sendo cinco delas nacionais e cinco internacionais, e os destaques ficam ao encargo dos italianos do Sonic Jesus reconstruindo “Somebody To Love”, do Jefferson Airplane, a gaúcha The Sorry Shop em uma versão shoegaze/psicodelica para “Venus In Furs”, do Velvet Underground e a releitura dos ingleses do Dead Rabbits para “Funnel of Love”, da Wanda Jackson.

Certamente uma grande iniciativa resultando em um trabalho extramente profissional. Baixe, compre, ouça e compartilhe!

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01. Vomitself 04.36
02. In Your Arms 02.43

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Por Al Schenkel

Após quase dois anos do lançamento do EP homônimo de 2011, a Flowed de Mário Alencar (Baixo e vocais), Leonardo Santiago (Guitarra), Davis Sampaio (Bateria) e Nick Mitchell (Guitarra), retornam as atividades com o single “Vomitself / In Your Arms”, lançado há exatos dois dias atrás, em 18 de março de 2013.

“Vomitself / In Your Arms” segue o clima de guitarras distorcidas e melodias grudentas, encontrando no shoegaze de bandas como Ride e no grunge psicodélico feito pelo Love Battery alguns pontos de referência pra sonoridade aplicada pelo quarteto vindo de Maceió. O single também abre caminho para Killing Surfers, EP novo com data de lançamento previsto ainda para o primeiro semestre deste ano.

Com gravação, produção e mixagem feitas por Márcio Júnior, masterização por Raoni Santos e capa por Mariana Hora, a Flowed segue somando junto a ótima leva de novas bandas barulhentas nacionais, mostrando com total afinco a qualidade de seu trabalho neste grande momento para a música independe do país.

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01. Elevenate 3:36
02. Flat Truck 3:28
03. Torque 4:39
04. Monkies 3:24
05. Kak 4:48
06. Where’s Gala 4:24
07. Ground Zero 3:13
08. $1000 Pledge 6:02
09. The Final Nail 5:13
10. Pipeline 10:00

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Por Carlos André

Acredito que muitos que passam por aqui diariamente conhecem o trabalho do Loop, banda seminal para a formação do Shoegaze na terra da Rainha na virada dos anos 80 para os 90. Porém, imagino que poucos terão familiaridade com o nome The Hair & Skin Trading Company.

Com a dissolução do Loop em meados de 91, dois de seus ex-integrantes (Neil Mackay e John Willis) mergulharam de cabeça no TH&STC. Enquanto sua empreitada antiga era marcada por loops (sic) hipnóticos, dissonância caleidoscópica e uma psicodelia que unia os universos do Pink Floyd dos idos do Syd Barrett, do Spacemen 3 e do Jesus & Mary Chain, o TH&STC diverge para um caminho um pouco mais direto e palpável, enveredando-se pelos sítios do Krautrock, da verve mais agressiva do Shoegaze (The Telescopes serve como ilustração) e Post Punk a la Killing Joke, não tendo vergonha de explorar o Industrial tão efervescente à época, tal como The Young Gods, quando lhe convém.

Deixo-lhes, portanto, o debut da banda para download. Batizado de Jo in Nine G Hel, este nome bem pouco ortodoxo consiste em um anagrama dos nomes dos integrantes, Neil, Nigel and John. Criativo, não? Pois criatividade é algo que nunca faltou ao TH&STC e nem ao Mr. Mackay e Mr. Willis, somente o reconhecimento por tão influente legado que, mesmo após 20 anos, continua sendo uma pérola oculta a ser descoberta e degustada como se deve.

Psychedelic-Meltdown

1. Melt 2.50
2. Loveless 13.04
3. Blue 11.02

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Por Carlos André

Oriundo da terra do Sol nascente, The Heavy Friends é uma amostra perfeita do potencial máximo que a fusão entre Noise e Psicodelia é capaz. Lançando material desde 2010, cada trabalho consiste em longas viagens movidas a microfonia incandescente e delírios estelares, tendo como principais fontes seu grandioso conterrâneo, Les Rallizes Dénudés, bem como mestres ocidentais do wall-of-sound do naipe de My Bloody Valentine, Sonic Youth, Spacemen 3, Jesus & Mary Chain, todos eles andando de mãos dadas com gigantes ácidos como Jimi Hendrix, Popol Vuh, Neu! e afins. Por fim, disponibilizo um link para Psychedelic Meltdown, seu trabalho mais recente. Consiste em três peças totalizando 27 minutos submersos em um tanque da melhor e mais pura lisergia cósmica. Imperdível para qualquer ser vivo que aprecie os artistas citados acima, além da boa e velha arte japonesa de demência Noise.

Bandcamp: http://theheavyfriends.bandcamp.com/
Blog: http://heavyfriendstakashi.blogspot.com.br/