Posts com Tag ‘2013’

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01. Exit! Part One 19:29
02. Exit! Part Two 24:54

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Por Al Schenkel

Gravado ao vivo em janeiro de 2012 na sede da Fylkingen – o lendário centro de música vanguardista de Stockholm – Exit! traz uma performance visceral de Mats Gustafsson (The Thing), Johan Berthling (Tape) e Andreas Werliin (Wildbirds & Peacedrums) ao lado de 28 músicos suecos de jazz, improv. e avant-garde rock.

Com vocais de Mariam WallentinSofia Jernberg sob letras de Arnold de Boer of Dutch (da holandesa, The Ex),  o álbum, dividido duas metades, “Exit! Part One” e “Exit! Part Two”, o festim experimental gerido pela orquestra transcende a sobriedade da música contemporânea e em sua angular simbiose de free-jazz, free-improvisation e Krautrock entrega à arte o seu mais louvável enlevo: a ruptura ao lugar comum, dando-lhe em troca fluxos caóticos de poesia sonora, caos e atemporalidades.

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OS 30 MELHORES DISCOS NACIONAIS DE 2013

Publicado: 30 de dezembro de 2013 em Melhores do ano
Tags:,

discos nacionais de 2013

Por Al Schenkel

Mais um ano que vem chegando ao fim e também mais um excelente ano para a produção musical independente brasileira, e como de praxe o Ride Into The Sound põe na roda alguns dos lançamentos nacionais mais interessantes deste 2013.

Sem critérios ortodoxos e baseado apenas no gosto pessoal deste que vos escreve, logo abaixo vocês poderão conferir os 30 melhores discos nacionais em uma variante de estilos executados por artistas de vários cantos do país.

Inúmeras boas obras ficaram de fora, mas como nenhuma lista tem o papel de servir como verdade absoluta e sim carregar o propósito de levar até o ouvinte um apanhado dos destaques que se fizeram dentro destes últimos 12 meses, o blog estará sempre aberto a discussões, reclamações e sugestões, tentando sempre trazer o melhor do underground e instigar o ouvinte a abandonar a zona de conforto, criando um espaço não óbvio para esta que é uma das coisas mais prazerosas deste mundo: a música.

Um grandioso e barulhento 2014 para todos vocês!

Obs.: Quem assina arte acima é o amigo Mauro Fabian, o uruguaio mas boa praça de Criciúma.

#30. Clube Las Vegas “Clube Las Vegas”
Gravadora: Independente
Gênero: Post-Rock / Shoegaze / Instrumental
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#29. Top Surprise “Klouds”
Gravadora: Transfusão Noise Records
Gênero: Noise-Pop / Lo-Fi / Alt-Rock
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#28. Churrus “Transcontinental”
Gravadora: Midsummer Madness
Gênero: Lo-Fi / Alt-Rock
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churrus

#27. Barulhista “Café Branco”
Gravadora: 0.cm
Gênero: Ambient / Electronic
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barulhista

#26. Seamus “Red”
Gravadora: Independente
Gênero: Alternative Rock
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seamus

#25. Robsongs “Chuva de Tijolos”
Gravadora: The Blog That Celebrates Itself Records
Gênero: Shoegaze / Psychedelic-Rock
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robsongs

#24. Wallace Costa “Erosion”
Gravadora: Independente
Gênero: Alternative Folk
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#23. Nvblado “Afogado”
Gravadora: Independente
Gênero: Post-Rock / Drone / Screamo
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nvblado

#22. Lupe de Lupe “Distância”
Gravadora: Popfuzz Records
Gênero: Noise-Pop /Shoegaze / Experimental
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lupe de lupe

#21. Hangovers “Hanga In The Sky With Breads”
Gravadora: Independente
Gênero: Grunge / Alt-Rock / Instrumental
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hangovers

#20. Bela Infanta “Apenas Cinco”
Gravadora: The Blog That Celebrates Itself Records
Gênero: Post-Punk / Dream-Pop
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bela infanta

#19. Scafandro “Scafandro” 
Gravadora: Independente
Gênero: Drone / Ambient  
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scafandro

#18. Satanique Samba Trio “Bad Trip Simulator #3” 
Gravadora: Independente
Gênero: Samba / Forró / Frevo / Experimental
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satanique

#17. Bemônio “Opscurum” 
Gravadora: Dissenso Records
Gênero: Drone / Dark-Ambient  
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bemônio

#16. Apanhador Só “Antes Que Tu Conte Outra” 
Gravadora: Independente
Gênero: Alt-Rock / Pop / Experimental
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#15. Honorável Harakiri “Honorável Harakiri” 
Gravadora: Mansarda Records 
Gênero: Free-Jazz / Free-Improvisation 
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#14. Inky “Parallels”
Gravadora: Independente
Gênero: Post-Punk / Electronic 
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inky

#13. Jesus & The Groupies “Hot Chicks And Bad Djs”
Gravadora: Independente
Gênero: Garage-Rock / Psychobilly
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#12. Chinese Cookie Poets + Nicolau Lafetá “Danza Cava”
Gravadora: Mansarda Records
Gênero: Noise-Rock / Free-Jazz / Experimental
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#11. Yeti “Terminal”
Gravadora: Sinewave
Gênero: Math-Rock / Post-Rock
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yeti

#10. The Sorry Shop “Mnemonic Syncretism”
Gravadora: Independente
Gênero: Shoegaze / Alt-Rock
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sorry shop

#9. Tape Rec “Death Friends”
Gravadora: Transfusão Noise Records
Gênero: Alt-Rock / Lo-Fi
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tape rec

#8. Gustavo Jobim “Manifesto”
Gravadora: Independente
Gênero: Drone / Electronic / Ambient

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#7. Victim! “Lacuna”
Gravadora: Sinewave
Gênero: Industrial / Dark Ambient / Noise
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#6. Loomer “You Wouldn’t Anyway”
Gravadora: Midsummer Records / Transfusão Noise Records / Sinewave
Gênero: Shoegaze / Alt-Rock
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loomer

#5. Ceticências “Lua”
Gravadora: Independente
Gênero: Industrial / Electronic
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lua

#4. Porto “Odradek”
Gravadora: Independente
Gênero: Experimental / Krautrock / Instrumental
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#3. FireFriend “Witch Tales”
Gravadora: Independente
Gênero: Psychedelic-rock/ Shoegaze
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#2. Herod “Umbra”
Gravadora: Sinewave
Gênero: Post-Rock / Shoegaze / Experimental
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#1. Labirinto / thisquietarmy Split
Gravadora: Dissenso Records
Gênero: Post-Rock / Instrumental / Experimental
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Tape Rec “Death Friends” (2013)

Publicado: 22 de novembro de 2013 em Alternative Rock, Indie Rock, Lo-fi
Tags:,

tape rec

1.Death Friends 05:37
2.Bre 01:27
3.Lastimável 04:02
4.Yo Frat 05:02
5.Impro Paz 16:25
6.Mantra / Anagrama 02:29
7.Funeral 01:38

Download / Transfusão Noise Records

Por Al Schenkel

Death Friends, lançado ontem, 21 de novembro de 2013 via Transfusão Noise Records é o primeiro disco cheio da banda carioca da baixada fluminense surgida entre 2004 e 2005, Tape Rec.

Capitaneada pelo mestre do DIY tupiniquim, Lê Almeida, o quarteto que também traz em sua formação Evandro Fernandez, Leonardo Lara e Bigú Medine dispara em seu mais novo rebento uma coleção de sete pérolas pop barulhentas inundadas por guitarras distorcidas e influências noventistas de gente como Pavement, Sonic Youth, The Breeders e Guided By Voices. E o trabalho pode ser adquirido gratuitamente no bandcamp oficial da banda.

Vale lembrar que a Transfusão Noise Records também é lar de bandas fantásticas como a Badhoneys, Medialunas, Top Surprise, Wallace Costa, além dos outros inúmeros projetos do Lê Almeida.

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01.Orange Trickster – “The Girl”
02.The Trial – “Lovers”
03.Jesus & The Groupies – “Crack House”
04.The Prom Queen – “Jesus, etc”
05.Lux & Fear – “Modern Distress”
06.Phantom Powers – “Mother Nature’s Call”
07.Mary O and The Pink Flamingos – “Terror no Dona Neca”
08.Pools Of Happiness – “Holloway District”
09.Nelo Johann – “Elope”
10.Duo Deno – “Você Tá Bem?”
11.Starfire Connective Sound – “Self-Induced Heaven”
12.Human Trash – “Down In Your Mouth”

Download / Solomon Death / Damn Laser Vampires

Por Al Schenkel

Seja a frente da Damn Laser Vampires — banda gaúcha que infelizmente encerrou as atividades em dezembro de 2012 — ou nas rédeas de sua empreitada solo que vem ganhando vida desde 2011, o Solomon Death, Ron Selistre segue firme em sua jornada artística proporcionado-nos alguns dos trabalhos mais brilhantes destes últimos anos, sempre maravilhando-nos com sua elegantíssima voz típica de um crooner em uma fusão de dramaticidade e expressividade atônitas.

Com dois discos junto a DLV,  o álbum de estreia lançado em 2008 nos EUA e elogiado em diversos países, “Gotham Beggars Syndicate”, e “Three-Gun Mojo”, gravado no Caffeine SoundStudio e lançado em 2010, ao lado de Francis kafka e Michel Munhoz, a Damn Laser Vampires, trio surgido em Porto Alegre no ano de 2005 e que já foi rotulado de pós-punk, neo-punkabilly, psychobilly minimal, gothpunk, artpunk, garage polka, punk-polka, apesar da curtíssima discografia deixou-nos um dos maiores legados já produzidos em terras nacionais munidos de apresentações incendiárias nos quatro cantos do país.

E para a nona edição da Mixtapes & Noisemates, Ron nos presenteia com doze canções em variados gêneros e mais textos informativos sobre suas escolhas, mostrando-nos o que vem rolando em seu player e agraciando-nos com uma amostra interessantíssima de seu gosto pessoal, focado principalmente em artistas contemporâneos e surgidos também em solo nacional. A arte fica mais uma vez com o grande Neri Rosa.

Abra uma cerveja, leia o texto, aumente o volume e passe adiante!

Ouça Hauntend, do Solomon Death.

Por Ron Selistre

Antes de aceitar o convite eu disse, “Mas Al, eu não ando ouvindo muita coisa nova. Uma lista de doze músicas novas pode ser um pouco difícil.” Aí ele respondeu “Pode ser também alguma coisa mais antiga que você tenha conhecido recentemente”, e pensei “Ah, melhorou.” Porque faz tempo que noventa por cento do que eu ouço tem mais idade que eu.
E já estava preparado pra mandar um desfile de cadáveres envolvendo quintetos de choro e monges asiáticos de nomes impronunciáveis quando percebi que, felizmente, não seria preciso recorrer ao meu querido antiquário. Havia uma outra turma muito boa frequentando o playlist – todos contemporâneos, todos na ativa, uns mais, outros menos – e seria ótimo poder falar deles.

Não percam tempo com a minha tagarelice aí abaixo: pulem direto pra música, e não precisam me agradecer. Quero apenas sugerir que, caso gostem de algum nome em particular, usem os links pra mostrar aos seus amigos e, se possível, gastem dois minutos pra cumprimentar essas pessoas por trazerem música boa até nós. Como muitos de vcs sabem, a nossa época não é muito generosa com seus artistas independentes, por isso um simples “gostei do seu som” é valioso e sempre bem vindo – e é de graça.

Os nomes estão aqui sem nenhuma ordem de importância e merecem igual atenção.

Orange Trickster – “The Girl”
Esse projeto eletrônico do Alvaro Neto nos dá pistas nítidas sobre em que altura da história da cultura pop nós estamos: um período tão dormente que uma canção redonda como esta passa batida pela atenção das multidões. “The Girl” tem tudo e mais um pouco que um clássico precisa, incluindo um refrão perfeito em três simples acordes (escrito quando o autor tinha 15 anos!), um vocal feminino doce e sem afetação, e uma atmosfera luminosa. Futurismo nostálgico da melhor categoria.

The Trial – “Lovers”
O Trial, quarteto de Lajeado – RS, se comporta exatamente como a música que produz; não comete excessos, não se autoproclama coisa alguma. O som fala por si. Sua performance ao vivo (impressionante pela precisão, incluindo uma interpretação ofuscante de “Know Who You Are at Every Age” do Cocteau Twins!) e as canções que eles registram em estúdio tem a mesma honestidade de quem sabe tranquilamente quem é, onde está e o que faz. A presença forte do vocal chama atenção na hora, mas não parece se preocupar em ser um elemento de frente, porque tudo está no seu lugar de modo a não deixar espaço pra nenhum destaque.

Jesus & The Groupies – “Crack House”
Espaço suficiente é uma coisa que não existe quando se trata de dar a ficha de Marco Butcher e Luis Tissot; bastaria dizer que esses dois cavalheiros tem atrás de si uma das mais invejáveis estradas pelos subterrâneos do rock n’ roll. Incluindo (muitas) turnês internacionais bizarras, parcerias intermináveis – que vão do ex-Bad Seeds Hugo Race e Dan Kroha (The Gories) a Lydia Lunch e Rob Kennedy – , além de exibirem no currículo o Thee Butcher’s Orchestra e o Human Trash (só pra citar dois luminares) e por aí vai. E, me permitam uma nota de orgulho pessoal, a dupla produziu em 2010 o disco “Three-Gun Mojo”, dos Damn Laser Vampires. O J&TG é uma de suas muitas colaborações, e a irresistível “Crack House” se destaca no álbum “Hot Chicks and Bad DJs”, lançado este ano.

The Prom Queen – “Jesus, etc”
Mariana Prates, ex-baixista da Superphones e mais tarde da Christianz & The Phasers (missão da maior responsa, assumir justamente as quatro cordas numa excelente banda blacksoulfunky), traz à luz sua outra face no The Prom Queen: uma cantora classudíssima, atuando sobre arranjos perfeitamente criados pra voz dela. No ainda modesto MySpace da banda, o destaque é a versão muito pessoal deste clássico do Wilco, produzida (magistralmente) pelo João Augusto Lopes para a coletânea “Yankee Hotel Foxtrot Tribute – a Box Full of Versions”, lançada no ano passado.

Lux & Fear – “Modern Distress”
Rodrigo Luz é vocalista de algumas – honestamente não sei quantas – bandas de hardcore atuantes em Porto Alegre, entre elas a performática Viruskorrosivus, e também mantém diversos projetos solo (até isto ser publicado ele provavelmente já terá criado mais uma meia dúzia). O Lux & Fear, mais afeito à darkwave e ao synthpop, é o meu favorito deles, e “Modern Distress” é uma das razões.

Phantom Powers – “Mother Nature’s Call”
Os veteranos Tio Vico (ex-Hangover Boys; confira também a carreira solo do homem) e Ray Z (outro nome cujo currículo precisaria de uma matéria à parte) entendem de timbres e riffs como ninguém. O Phantom Powers é sua homenagem incendiária a tudo que o garage surf e o psychobilly representam de mais divertido. Claras referências a The Monsters e Meteors.

Mary O and The Pink Flamingos – “Terror no Dona Neca”
Um dos mais divertidos grupos de garage surf em atividade. Dignos seguidores da escola Link Wray e Dick Dale (que inspira tantos nomes importantes do estilo, como Reverba Trio e The Dead Rocks, por exemplo). Vai dar uma festa? Sério: leve isto aqui.

Pools Of Happiness – “Holloway District”
Tem essa história sobre o tal do “revival”: De tempos em tempos as pessoas gostam de falar que há um revival disso ou daquilo, ou que vem aí uma “nova safra” desse ou daquele revival. Com a indústria cultural reduzida ao status de refém de números e de tendências que estragam depois de dez minutos no sol, isso é uma ilusão primária. O que até pouco tempo era identificado apenas como “revival” é hoje um elemento catalisador presente em quase tudo que a vista alcança. Longe de ser novidade, esse é um fenômeno cíclico (há uns 25 anos o melhor nome que se tinha pra ele ainda era “pós-modernismo”). Por isso seria besteira dizer que o Pools Of Happiness é parte de um revival. A música deles sintoniza inegavelmente com o espírito oitentista, mas de um modo tão natural que faz pensar se existe mesmo isso de “som dos oitenta” – ou se aquela década não teria sido na verdade um revival do futuro.

Nelo Johann – “Elope”
A bagagem desse sujeito (nascido no dia 3 do mês 3 de 83) inclui, além de nada menos que vinte e cinco álbuns (totalmente autorais, produzidos sob o cânone do que ele define como LO-FIghter – tudo pra baixar lá em nelo.4shared.com ), a trilha sonora integral de um longa premiado (“Os Famosos e os Duendes da Morte”, melhor filme no Festival do Rio 2009), a abertura de um show da Cat Power, e uma linda versão banquinho & guitarra de The Number Of The Beast que, segundo consta, rendeu ameaças vindas dos headbangers mais puristas (e naturalmente mais babacas). Um dos artistas mais produtivos e de estilo mais forte que eu conheço.

Duo Deno – “Você Tá Bem?”
Parceria do mestre compositor, pesquisador, multi-instrumentista, biblioteca ambulante e por aí vai (e vai longe) Arthur de Faria com o escritor Daniel Galera. O clima “crooner de cabaré” é um dos ambientes favoritos do cara, e aqui ele deita e rola. A “normalidade” descrita de modo nem um pouco normal, sarcástico ao extremo e definitivamente destemido.

Starfire Connective Sound – “Self-Induced Heaven”
Não tenho receio de parecer estar favorecendo o dono da página aqui (pra quem não sabe, Mr. Al Schenkel é o “man behind the mask” do SCS). Qualquer resquício dessa impressão desaparecerá nos primeiros instantes de “Self-Induced Heaven”. Densa e flutuante, misteriosamente ameaçadora. Quase uma “antimúsica”, que se aproxima como uma nuvem crescente. Pra vc que assim como eu acredita que o shoegaze não precisa ser aquela reedição entediante das mesmas ideias, e que uma obra de arte é a única coisa capaz de dissolver a linha que separa a tristeza da beleza sublime.

Human Trash – “Down In Your Mouth”
Uma das muitas ramificações do que alguns – eu entre eles – gostam de chamar de “o som do Caffeine” (o timbre característico produzido no Caffeine Soundstudio, quartel-general do selo paulistano Mamma Vendetta), o Human Trash, que acaba de lançar o segundo álbum, é uma dessas bandas com o incrível poder de carimbar no disco a intensidade do palco. Isso principalmente pela quilometragem do trio; seus membros também respondem pelo Dealers, o Biggs, o Famous Go Go Boy From Alabama, a Bloody Mary Una Chica Band (da guitarrista Sister Mari Trash – oficialmente a primeira one-girl band brasileira, ou seja, a primeira garota a se apresentar sozinha no formato guitarra/bateria/microfone consagrado pelas conhecidas monobandas, até então terreno exclusivo dos bigodudos). O HT é uma usina que transforma lixo em energia, operando em volume máximo.

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1.Cash Now 07:17
2.Scary Monster 04:32
3.Drip Decay 04:29
4.Judy Wants Sex on the News 05:30
5.Diluted Fetus Circuit Tycoon 07:28
6.Liz Tattoo 05:09

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Junte pitadas de Brainiac, Ponytail, Primus, Melt-Banana e AIDS Wolf  e teremos o Guerilla Toss, banda de Boston que em 21 de maio deste ano lançou seu primeiro full-lenght, um disco de seis faixas auto-intitulado e disponibilizado via Tzadik, selo do mestre John Zorn.

A atmosfera que ronda o disco é completamente caótica e urgente, baseada em improvisações, noise e assinaturas de tempo irregulares guiados pelos vocais ensandecidos de Kassie Carlson. E conforme alguns relatos em blogs de pessoas que tiveram o privilégio de assistir a banda ao vivo, a sensação é de estar presente em um carnaval totalmente esquizofrênico, non-sense e atonal.

Completam a formação além de Kassie, Ian Kovac – sintetizador, Peter Negroponte – bateria, Simon Hanes – baixo e Arian Shafiee – guitarra.

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1.Teraz widzę już tylko rzekę… 13:23
2.Let Din we-let dajjan 03:58
3.Tzimtzum 12:16
4.La Chair du Monde 03:24
5.Skryty 05:13
6.Adam Kadmon 02:34
7.Późne królestwo 13:11

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Por Al Schenkel

Alameda 3 é uma banda surgida na cidade de Bydgoszcz, na Polônia lá pelos idos de 2010 e formada por Kuba Ziołek (Stara Rzeka, Ed Wood e Innercity Ensemble), Mikołaj Zieliński e Tomek Popowski, também membros da Stara Rzeka.

Com uma sonoridade calcada em drone-ambient, krautrock, japanese noise-psychedelia e rock-in-opposition, ou melhor dizendo, em uma fusão de ambos os estilos citados, o trio pariu em 20 de maio deste ano seu primeiro full-lenght, o disco de sete faixas intitulado Pozne krolestwo, aka de-longe-o-disco-mais-ácido-de-2013.

Trazendo como conceito principal por trás da obra a morte, tanto em níveis pessoais como universais, Pozne krolestwo pisa sem receio no experimentalismo, criando soundscapes altamente densas, ácidas, obscuras e hipnóticas, fazendo o Tame Impala soar como a trilha sonora de uma viagem de aspirina com suco de laranja. Fortemente recomentado!

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01.God Arms the Patriot 02:04
02.Wound Instructions 02:40
03.Milk from Treason 02:48
04.Stringer 03:59
05.Replace Me with Fire 09:09
06.Bruxism 01:26
07.A Parade of Horribles 04:00
08.The Forgiveness Machine 10:56

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Por Al Schenkel

Oriundos da eterna meca do grunge nos anos 90, Seattle, mas sem emular a sonoridade que popularizou a cidade, o trio de post-hardcore/math/noise/sludge, Great Falls, chega pela primeira vez ao blog para chutar traseiros e estourar tímpanos através de seu mais recente registro. O disco de oito canções lançado em 30 de setembro deste ano via Hell Comes Home Records, chama-se Accidents Grotesque e sucede o até então por mim desconhecido álbum Fonatanelle, de 2011.

Formada por Demian Johnston (Hemingway, Kiss It Goodbye, Playing Enemy), Shane Mehling (Playing Enemy) e Phil Petrocelli (Jesu, Black Noise Cannon), a banda entrega-nos em Accidents Grotesque um trabalho altamente cáustico, intenso, agressivo e dissonante, seguindo a mesma linhagem de bandas contemporâneas como Narrows e KEN Mode, além de carregar também semelhanças aos outros projetos citados aos quais o trio já integrou/integra.

Accidents Grotesque pode ser baixado através da página oficial da Hell Comes Home Records via bancamp e também adquirido em LP em uma edição limitada juntamente com uma t-shirt da banda. O álbum foi produzido por Jeff McNulty, sendo mixado e editado por Phil Petrocelli e masterizado por James Plotkin. A arte é assinada por Demian Johnston.

QUINZE DISCOS NACIONAIS

Por Al Schenkel

Do drone e free improviso dos gaúchos da Scafandro e sua estréia auto intitulada ao samba experimental contido no quarto álbum de estúdio dos paulistanos da São Paulo Underground, o Ride Into The Sound joga na roda quinze discos excepcionais que vem mostrando que o país não é apenas um antro de bandinhas genéricas de indie-sambinha-leite-com-pera e cópias aguadas dos Strokes.

Com inserções pelo post-rock, post-punk, math-rock, shoegaze, alt. rock, noise, industrial e afins, este mini-especial reúne artistas de variados estados brasileiros e mostra o atual poder de fogo criativo do underground nacional e a sintonia em termos qualitativos com a produção musical mundial.

Prepare o HD, chame os amigos, estoure umas cervejas e aumente o volume ao máximo que você puder aguentar!

Scafandro “Scafandro” (2013)

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01.Napalm Sunset 05:06
02.Home Memory 13:51
03.Bikini Island 07:47
04.Airground 15:41
05.Sailing Brick 16:20
06.Braincut 19:57
07.Sunbeast 22:39
08.Worried Glass 11:11
09.Teeth Grinder 13:25

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Seamus “Red” EP (2013)

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01.Red 06:05
02.When I Quit My Lens 03:43
03.Ambush In The Night 04:26
04.Bloodbrother 04:06

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Labirinto & thisquietarmy “Labirinto/thisquietarmy” Split (2013)

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01.Labirinto – Tahrir 07:02
02.Labirinto – Diluvium 07:49
03.Labirinto – 11 Palmos 05:55
04.. – . 01:00
05.Thisquietarmy – Eclipse 05:44
06.Thisquietarmy – Paths to Illumination 05:33
07.Thisquietarmy – World Protest 05:37
08.Thisquietarmy – Abandonment 05:59

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Ceticências “Pilow” EP (2013)

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01.Dew 07:16
02.Pillow 06:27
03.Gale 03:38
04.Eyelids 03:47

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Bela Infanta “Apenas Cinco” EP (2013)

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01.Guarde-me Uma Prece Para Amanhã 04:00
02.Bruma 02:43
03.Todas As Tarde De Agosto 03:24
04.Uma Das Três Escadas 03:48
05.Constantina 03:06

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 Gustavo Jobim & Christian Caselli “Stream” (2013)

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01.The Stream (O Rio) 08:02
02.White Flag (Bandeira Branca) 08:49
03.Fire in the Mud (Fogo na Lama) 05:57
04.Farewell (Despedida) 03:19
05.Push Moderately (Empurre com Moderação) 07:55
06.The Light (A Luz) 10:42

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Yeti “Terminal” EP (2013)

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01. 910 – Sweet River/Mercy 2.50
02. 216 – Clay/Pleasures 2.49
03. 713 – Hemetery’s Bomb 4.30

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Bemônio “Opscurum” (2013)

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01.OPSCURUM -9 interlúdios 22:56

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Chinese Cookie Poets “Danza Cava” (2013)

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01.Ojos de ceniza 04:12
02.Lapetus l’uccello 05:06
03.Il semi-affetto degli argonauti 00:50
04.Tiao Yue 05:17
05.Chang’e III 02:50
06.Passo torvo 04:18

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Clube Las Vegas “Clube las Vegas” EP (2013)

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01.A primeira 03:19
02.Sobre a brevidade da vida 02:04
03.A valsa de deus 03:56
04.Envelhecendo lentamente 05:46
05.Oderich 03:24
06.Morris 05:02

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Jesus And The Groupies “Hot Chicks and bad DJs” (2013)

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01.Boogie Medicine 02:36
02.She Steps on the Gas 02:30
03.Hot Chicks and Bad Djs 01:38
04.Judah’s Kiss 02:06
05.Mr. Jealous Man 03:23
06.Dedication and Morphine 01:58
07.Crack House 03:31
08.Nick The Stripper 03:34
09.Jesus Autograph 02:09
10.Wild Thing 02:20
11.Emily 03:15
12.Around You 03:29
13.J.C. Boogie Reprise 02:40

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Barulhista “Café Branco” (2013)

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01.a lufa 04:39
02.Colo-paradeiro 06:12
03.Malevich 07:59
04.Passàrgada 06:16
05.Nonada 06:43

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The Us “Free Fall” EP (2013)

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01.Bad Seeds 03:58
02.I Can´t Scream For Help 04:31
03.Free Fall 02:58
04.Final Song 04:16

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Top Surprise “Klouds” EP (2013)

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01.K-complex 01:13
02.Ready for the Haze 02:35
03.Klein Blues 03:10

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São Paulo Underground “Beija Flors Velho e Sujo” (2013)

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01.Ol’ Dirty Hummingbird 04:34
02.Into The Rising Sun 02:34
03.Arnus Nusar 07:46
04.Over The Rainbow 03:05
05.Evetch 02:31
06.Six-Handed Casio 04:04
07.The Love I Feel For You Is More Real Than Ever 03:15
08.Basilio’s Crazy Wedding song 03:00
09.A Árvore De Cereja É Ausente 03:00
10.Taking Back The Sea Is No Easy Task 04:34

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cover

1.Capetinja 04:34
2.Mesmo que os amantes se percam, continuará o amor 06:03
3.As estrelas não são para os homens 05:13
4.Tau zero 03:43
5.E a morte perderá o seu domínio 05:47
6.Dezessete nós 04:39
7.Remédio para melancolia 05:06
8.A quarta hora 03:50

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Por Al Schenkel

Idealizado em 2006 pelo baterista Richard Ribeiro (Guizado, Gui Amabis, Pélico, Labirinto, São Paulo Underground, entre outros) em meio a um projeto com os integrantes do Hurtmold e o trompetista americano Rob Mazurek, Porto é um duo paulista de música experimental que tem em sua outra metade o guitarrista convidado Régis Damasceno, membro da banda Cidadão Instigado.

Em Odradek, primeiro disco cheio do duo e lançado cinco anos após a estréia do projeto com o EP Fora de Hora, de 2008, o disco de oito faixas realizado de forma independente transborda experimentalismo e passeia com maestria por gêneros como jazz, psicodelia, ambient e krautrock, criando uma simbiose perfeita fusionada pelas bases sintetizadas, bateria acentuada e arranjos de vibrafone de Richard, junto as linhas excepcionais de guitarra elaboradas por Régis.

Odradek reflete a ótima fase a qual vive a cena experimental brasileira em uma amostra grandiosa tecida por dois dos mais prolíficos artistas nacionais. O disco também conta com uma digníssima produção executada por Bruno Buarque e pelo próprio Richard Ribeiro, além da masterização de Fernando Sanches e da arte assinada por Gustavo Rates .  O show de lançamento acontecerá hoje, dia 23 de agosto às 22hs na Serralheria, em São Paulo.

Abaixo você pode conferir uma entrevista de Richard publicada com exclusividade ao blog Amplificador:

O Porto é um projeto seu, certo?

Eu acabo fazendo as músicas, levo as composições pra ele (Régis) e a gente trabalha como dupla pra criar uma outra coisa, que é o que o público ouve. Tenho o início, as estruturas, alguns samples, mas ele contribui absurdamente pra isso virar uma outra coisa. Quando falo com ele, ele já entende. É uma relação de confiança, de afinidade muito grande. Tem uma música em parceria, a última do disco.

Como você escolheu os instrumentos do Porto?

O que mais me atraiu nesse projeto sempre foi a questão de trabalhar com menos elementos. Fugir do mais comum de ter baixo, teclado ou algum instrumento de sopro. Explorar outros aspectos musicais, criar vários ambientes diferentes. Eu sou baterista, então a bateria é natural. Quando eu estava começando a compor, precisei de um instrumento melódico pra poder tocar. Aí pensei num vibrafone, que me permite dividir a função. Toco bateria, conduzo a música e toco os temas. Quando eu vi já tava em cima do instrumento, fez sentido tocar os dois como uma peça só. As músicas eu faço no violão, na guitarra e eu queria a sonoridade da guitarra.

Qual o significado do nome do disco (“Odradek”)?

Ainda tô descobrindo. Veio de um livro do Henrique Villa-Matas. Um personagem que eu não consegui definir e aquiloo me encantou e me inspirou a arte do disco, ao som. Não tem uma definição, é mais uma sensação. Hoje dá pra fazer projetos paralelos com mais facilidade, né? É mais fácil sim, claro. Tudo depende de como você trabalha. Eu preciso de um estúdio pra ajeitar as coisas. Isso tem gasto om gravação, mas isso é arte do trabalho. Não sei fazer de outra forma, não tenho estúdio em casa. Preciso de engenheiro de som, de um estúdio.

Em alguns momentos eu tive a sensação de estar ouvindo a trilha sonora de um filme. Faz sentido?

A maneira que eu me envolvo com música tem a ver com criar  imagens. Às vezes é um chiado, uma batida de bateria que me traz uma sensação, mais que a necessidade de encontrar um tom, uma nota específica. Então faz sentido isso que você disse sim.