Posts com Tag ‘Mixtape’

 

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01 Excursions “A Tribe Called Quest”
02 I’m A Swing It “House of Pain”
03 Me Comprendes Mendes “Control Machete”
04 The Truth (ft. roisin & j-live) “Handome Boy Modeling School”
05 Here We Go “Das EFX”
06 Raspberry Fields “Cannibal Ox”
07 Prostituta “Nega Gizza”
08 Tamale “Tyler, The Creator”
09 Real Eyes (feat. melvin van peebles) “Quasimoto”
10 e=mc2 (feat. common) “J. Dilla”
11 So What’cha Want “Beastie Boys”
12 Pussy Galore “The Roots”
13 Oh Shit “The Pharcyde”
14 Work “Gang Starr”
15 Never in This World “The Mexakinz”
16 Black Skinhead “Kanye West”
17 Bring Da Ruckus “Wu-Tang Clan”
18 Insane In The Brain “Cypress Hill”
19 A Day at the Races (feat. big daddy kane & percee p) “Jurassic 5”
20 Family Business “The Fugees”
21 A Beast Caged “Dalek”
22 Mind Your Business “La Coka Nostra”
23 Doors Intro Confessions Of A Drug Addict “The Psycho Realm”
24 I’m Addicted “Delinquent Habits”

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Por Al Schenkel
Colaboração: Jana Wadenphul

Surgido como subcultura nas  áreas centrais de comunidades jamaicanas, latinas e afro-americanas da cidade de Nova Iorque na década de 70 para o mundo, o Ride Into The Sound pela primeira vez traz aos leitores do blog um apanhado com 24 artistas/canções em uma mixtape sobre um dos gêneros mais brilhantes e com o maior embasamento e mobilização social de todos os tempos: o rap.

Seja através de discursos politizados e em temas construídos com base estabelecida sobre questões como pobreza, violência, racismo e tráfico de drogas, até nas linhas mais livres e em variantes musicais mais experimentais e reconstruções de identidade focadas por artistas mais novos, o rap assim como a cultura hip-hop em geral sempre manteve um papel fundamental na construção cultural e preocupação com o cidadão marginalizado, ao retratar a sobrevivência de quem vive às margens da sociedade e a conscientização do indivíduo como ser social.

Dos trompetes às batidas eletrônicas e samples, elementos associados ao rock, funk, soul e jazz, nesta primeira edição fazemos um passeio por diversas fases do gênero, desde nomes essenciais responsáveis primordialmente por sua ascensão nos anos 80 e começo dos 90 como A Tribe Called Quest, The RootsGang StarrBeastie Boys, The Fugges, House of PainWu-Tang Clan Cypress Hill; passando por nomes mais undergrounds como The Mexakinz, Control Machete The Psycho Realm, até artistas mais recentes e experimentais como Tyler, The Creator, Dalek e Kanye West, contando também com a participação de Nega Gizza − representando o gênero em terras brasileiras na mixtape da vez.

Abra a cabeça, procure mais informações e diga não à segregação de gêneros culturais/artísticos, pois a música deve ser utilizada e encarada como um poderoso instrumento de libertação das amarras, e não empunhada como arma para retroceder e individualizar suas ideias e seus ideais.

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01.Orange Trickster – “The Girl”
02.The Trial – “Lovers”
03.Jesus & The Groupies – “Crack House”
04.The Prom Queen – “Jesus, etc”
05.Lux & Fear – “Modern Distress”
06.Phantom Powers – “Mother Nature’s Call”
07.Mary O and The Pink Flamingos – “Terror no Dona Neca”
08.Pools Of Happiness – “Holloway District”
09.Nelo Johann – “Elope”
10.Duo Deno – “Você Tá Bem?”
11.Starfire Connective Sound – “Self-Induced Heaven”
12.Human Trash – “Down In Your Mouth”

Download / Solomon Death / Damn Laser Vampires

Por Al Schenkel

Seja a frente da Damn Laser Vampires — banda gaúcha que infelizmente encerrou as atividades em dezembro de 2012 — ou nas rédeas de sua empreitada solo que vem ganhando vida desde 2011, o Solomon Death, Ron Selistre segue firme em sua jornada artística proporcionado-nos alguns dos trabalhos mais brilhantes destes últimos anos, sempre maravilhando-nos com sua elegantíssima voz típica de um crooner em uma fusão de dramaticidade e expressividade atônitas.

Com dois discos junto a DLV,  o álbum de estreia lançado em 2008 nos EUA e elogiado em diversos países, “Gotham Beggars Syndicate”, e “Three-Gun Mojo”, gravado no Caffeine SoundStudio e lançado em 2010, ao lado de Francis kafka e Michel Munhoz, a Damn Laser Vampires, trio surgido em Porto Alegre no ano de 2005 e que já foi rotulado de pós-punk, neo-punkabilly, psychobilly minimal, gothpunk, artpunk, garage polka, punk-polka, apesar da curtíssima discografia deixou-nos um dos maiores legados já produzidos em terras nacionais munidos de apresentações incendiárias nos quatro cantos do país.

E para a nona edição da Mixtapes & Noisemates, Ron nos presenteia com doze canções em variados gêneros e mais textos informativos sobre suas escolhas, mostrando-nos o que vem rolando em seu player e agraciando-nos com uma amostra interessantíssima de seu gosto pessoal, focado principalmente em artistas contemporâneos e surgidos também em solo nacional. A arte fica mais uma vez com o grande Neri Rosa.

Abra uma cerveja, leia o texto, aumente o volume e passe adiante!

Ouça Hauntend, do Solomon Death.

Por Ron Selistre

Antes de aceitar o convite eu disse, “Mas Al, eu não ando ouvindo muita coisa nova. Uma lista de doze músicas novas pode ser um pouco difícil.” Aí ele respondeu “Pode ser também alguma coisa mais antiga que você tenha conhecido recentemente”, e pensei “Ah, melhorou.” Porque faz tempo que noventa por cento do que eu ouço tem mais idade que eu.
E já estava preparado pra mandar um desfile de cadáveres envolvendo quintetos de choro e monges asiáticos de nomes impronunciáveis quando percebi que, felizmente, não seria preciso recorrer ao meu querido antiquário. Havia uma outra turma muito boa frequentando o playlist – todos contemporâneos, todos na ativa, uns mais, outros menos – e seria ótimo poder falar deles.

Não percam tempo com a minha tagarelice aí abaixo: pulem direto pra música, e não precisam me agradecer. Quero apenas sugerir que, caso gostem de algum nome em particular, usem os links pra mostrar aos seus amigos e, se possível, gastem dois minutos pra cumprimentar essas pessoas por trazerem música boa até nós. Como muitos de vcs sabem, a nossa época não é muito generosa com seus artistas independentes, por isso um simples “gostei do seu som” é valioso e sempre bem vindo – e é de graça.

Os nomes estão aqui sem nenhuma ordem de importância e merecem igual atenção.

Orange Trickster – “The Girl”
Esse projeto eletrônico do Alvaro Neto nos dá pistas nítidas sobre em que altura da história da cultura pop nós estamos: um período tão dormente que uma canção redonda como esta passa batida pela atenção das multidões. “The Girl” tem tudo e mais um pouco que um clássico precisa, incluindo um refrão perfeito em três simples acordes (escrito quando o autor tinha 15 anos!), um vocal feminino doce e sem afetação, e uma atmosfera luminosa. Futurismo nostálgico da melhor categoria.

The Trial – “Lovers”
O Trial, quarteto de Lajeado – RS, se comporta exatamente como a música que produz; não comete excessos, não se autoproclama coisa alguma. O som fala por si. Sua performance ao vivo (impressionante pela precisão, incluindo uma interpretação ofuscante de “Know Who You Are at Every Age” do Cocteau Twins!) e as canções que eles registram em estúdio tem a mesma honestidade de quem sabe tranquilamente quem é, onde está e o que faz. A presença forte do vocal chama atenção na hora, mas não parece se preocupar em ser um elemento de frente, porque tudo está no seu lugar de modo a não deixar espaço pra nenhum destaque.

Jesus & The Groupies – “Crack House”
Espaço suficiente é uma coisa que não existe quando se trata de dar a ficha de Marco Butcher e Luis Tissot; bastaria dizer que esses dois cavalheiros tem atrás de si uma das mais invejáveis estradas pelos subterrâneos do rock n’ roll. Incluindo (muitas) turnês internacionais bizarras, parcerias intermináveis – que vão do ex-Bad Seeds Hugo Race e Dan Kroha (The Gories) a Lydia Lunch e Rob Kennedy – , além de exibirem no currículo o Thee Butcher’s Orchestra e o Human Trash (só pra citar dois luminares) e por aí vai. E, me permitam uma nota de orgulho pessoal, a dupla produziu em 2010 o disco “Three-Gun Mojo”, dos Damn Laser Vampires. O J&TG é uma de suas muitas colaborações, e a irresistível “Crack House” se destaca no álbum “Hot Chicks and Bad DJs”, lançado este ano.

The Prom Queen – “Jesus, etc”
Mariana Prates, ex-baixista da Superphones e mais tarde da Christianz & The Phasers (missão da maior responsa, assumir justamente as quatro cordas numa excelente banda blacksoulfunky), traz à luz sua outra face no The Prom Queen: uma cantora classudíssima, atuando sobre arranjos perfeitamente criados pra voz dela. No ainda modesto MySpace da banda, o destaque é a versão muito pessoal deste clássico do Wilco, produzida (magistralmente) pelo João Augusto Lopes para a coletânea “Yankee Hotel Foxtrot Tribute – a Box Full of Versions”, lançada no ano passado.

Lux & Fear – “Modern Distress”
Rodrigo Luz é vocalista de algumas – honestamente não sei quantas – bandas de hardcore atuantes em Porto Alegre, entre elas a performática Viruskorrosivus, e também mantém diversos projetos solo (até isto ser publicado ele provavelmente já terá criado mais uma meia dúzia). O Lux & Fear, mais afeito à darkwave e ao synthpop, é o meu favorito deles, e “Modern Distress” é uma das razões.

Phantom Powers – “Mother Nature’s Call”
Os veteranos Tio Vico (ex-Hangover Boys; confira também a carreira solo do homem) e Ray Z (outro nome cujo currículo precisaria de uma matéria à parte) entendem de timbres e riffs como ninguém. O Phantom Powers é sua homenagem incendiária a tudo que o garage surf e o psychobilly representam de mais divertido. Claras referências a The Monsters e Meteors.

Mary O and The Pink Flamingos – “Terror no Dona Neca”
Um dos mais divertidos grupos de garage surf em atividade. Dignos seguidores da escola Link Wray e Dick Dale (que inspira tantos nomes importantes do estilo, como Reverba Trio e The Dead Rocks, por exemplo). Vai dar uma festa? Sério: leve isto aqui.

Pools Of Happiness – “Holloway District”
Tem essa história sobre o tal do “revival”: De tempos em tempos as pessoas gostam de falar que há um revival disso ou daquilo, ou que vem aí uma “nova safra” desse ou daquele revival. Com a indústria cultural reduzida ao status de refém de números e de tendências que estragam depois de dez minutos no sol, isso é uma ilusão primária. O que até pouco tempo era identificado apenas como “revival” é hoje um elemento catalisador presente em quase tudo que a vista alcança. Longe de ser novidade, esse é um fenômeno cíclico (há uns 25 anos o melhor nome que se tinha pra ele ainda era “pós-modernismo”). Por isso seria besteira dizer que o Pools Of Happiness é parte de um revival. A música deles sintoniza inegavelmente com o espírito oitentista, mas de um modo tão natural que faz pensar se existe mesmo isso de “som dos oitenta” – ou se aquela década não teria sido na verdade um revival do futuro.

Nelo Johann – “Elope”
A bagagem desse sujeito (nascido no dia 3 do mês 3 de 83) inclui, além de nada menos que vinte e cinco álbuns (totalmente autorais, produzidos sob o cânone do que ele define como LO-FIghter – tudo pra baixar lá em nelo.4shared.com ), a trilha sonora integral de um longa premiado (“Os Famosos e os Duendes da Morte”, melhor filme no Festival do Rio 2009), a abertura de um show da Cat Power, e uma linda versão banquinho & guitarra de The Number Of The Beast que, segundo consta, rendeu ameaças vindas dos headbangers mais puristas (e naturalmente mais babacas). Um dos artistas mais produtivos e de estilo mais forte que eu conheço.

Duo Deno – “Você Tá Bem?”
Parceria do mestre compositor, pesquisador, multi-instrumentista, biblioteca ambulante e por aí vai (e vai longe) Arthur de Faria com o escritor Daniel Galera. O clima “crooner de cabaré” é um dos ambientes favoritos do cara, e aqui ele deita e rola. A “normalidade” descrita de modo nem um pouco normal, sarcástico ao extremo e definitivamente destemido.

Starfire Connective Sound – “Self-Induced Heaven”
Não tenho receio de parecer estar favorecendo o dono da página aqui (pra quem não sabe, Mr. Al Schenkel é o “man behind the mask” do SCS). Qualquer resquício dessa impressão desaparecerá nos primeiros instantes de “Self-Induced Heaven”. Densa e flutuante, misteriosamente ameaçadora. Quase uma “antimúsica”, que se aproxima como uma nuvem crescente. Pra vc que assim como eu acredita que o shoegaze não precisa ser aquela reedição entediante das mesmas ideias, e que uma obra de arte é a única coisa capaz de dissolver a linha que separa a tristeza da beleza sublime.

Human Trash – “Down In Your Mouth”
Uma das muitas ramificações do que alguns – eu entre eles – gostam de chamar de “o som do Caffeine” (o timbre característico produzido no Caffeine Soundstudio, quartel-general do selo paulistano Mamma Vendetta), o Human Trash, que acaba de lançar o segundo álbum, é uma dessas bandas com o incrível poder de carimbar no disco a intensidade do palco. Isso principalmente pela quilometragem do trio; seus membros também respondem pelo Dealers, o Biggs, o Famous Go Go Boy From Alabama, a Bloody Mary Una Chica Band (da guitarrista Sister Mari Trash – oficialmente a primeira one-girl band brasileira, ou seja, a primeira garota a se apresentar sozinha no formato guitarra/bateria/microfone consagrado pelas conhecidas monobandas, até então terreno exclusivo dos bigodudos). O HT é uma usina que transforma lixo em energia, operando em volume máximo.

01. The Vandelles – Lovely Weather
02. Vessel – Stillborn Dub
03. Caterpillar Hood – Vine Climb
04. Fountains – Easily Led
05. Bemônio – Ritos Iniciais
06. Gimu – Will I Ever Sleep Well Again?
07. VICTIM! – Crowd
08. Black Polygons – Symmetry
09. The Holiday Crowd – Never Speak Of It Again
10. Violens –Totally True
11. Observer Drift – Warm Waves
12. Pärson Sound – Tio Minuter

Download

Retomando as sessões das Mixtapes & Noisemates, partimos pra edição de número 4 e com ela a participação de Fernando Augusto Lopes, patrono e mente pensante por detrás do essencial e sempre instigante Floga-se, barsa diária de informações, esquisitices, barulheiras e distorções em geral, ou como o próprio Fernando adverte: “um site sobre algumas bandas boas e outras nem tanto.”

Dono de um gênio contestador e discurso inflamável, Fernando vem desde 2006 orquestrando suas opiniões sobre música e demais assuntos através do Floga-se, sua plataforma pessoal para achados, perdidos e atualidades, oferecendo ao jornalismo musical brasileiro uma inteligente alternativa e visão sobre a música que vem sendo e que foi produzida nos quatro cantos do mundo.

E dando sequência aos trabalhos aqui no Ride Into The Sound, que através das Mixtapes & Noisemates tenta explorar um pouco do universo e gosto pessoal dos convidados, deixo-lhes com as doze canções escolhidas por Fernando Augusto Lopes + texto super bacana sobre o que recentemente tem ganhado sua atenção nos meios musicais e os nomes que vem fazendo parte de sua trilha sonora particular. Leia, baixe e ouça!

A arte é do amigo Neri Rosa.

Texto por Fernando Augusto Lopes

Sabe aquela história que você sonhava quando era adolescente de ficar invisível, entrar numa loja de discos e pegar o que quiser, sem pagar, sem ser importunado, sem preocupações éticas e jurídicas? Pois bem, a Internet é essa grande loja. E mais do que isso: é um grande museu, pra vasculhar coisas antigas e obscuras; e um grande repositório de bandas novas. Tudo a seu dispor. Há quem saiba aproveitar bem isso. Não acho que seja exatamente o meu, caso, muito por falta de tempo, embora eu tente bastante. Ouço muito os amigos, aqueles que tenho afinidade de gosto musical. Facilita o meio de campo fazem o trabalho sujo por mim.

The Vandelles é um bom exemplo. Uma banda do Brooklyn, que mistura Suicide, The Zombies, Cramps e Jesus & Mary Chain merece ser ouvida. Tá com novo disco, “Strange Girls Don’t Cry”, que merece ser baixado. Mas a música escolhida é do primeiro disco, “Del Black Aloha”, lançado de maneira totalmente independente.

O Vessel é um inglês maluco, de nome afrancesado, Sebastian Gainsborough, de 22 anos, que lança um disco cheio de climas, “o “Order Of Noise”, em setembro de 2012. “Stillborn Dub” dá uma boa ideia do que ele pode criar. Mais ou menos na mesma linha viajandona do australiano do Caterpillar Hood e sua “Vine Climb”. Só climão. O disco “Evaporate” é todo nessa linha, cortado por umas guitarras meio sujas, vez por outra. “Easily Led” é uma amostra da Fountains, uma banda inglesa que mostra como seria se o Joy Division tentasse ser dream pop ou shoegaze. Tem só dois EPzinhos lançados, cinco músicas no máximo.

Uma das coisas mais legais de editar o Floga-se é que um mundo enorme de possibilidades se abriu pra mim, na minha ignorância musical. O pessoal da Transfusão Noise Records, da Popfuzz, da Sinewave e, agora, da TOC Label, sempre estão mostrando algo inusitado feito no Brasil. Coisas que eu nem imaginava que existiam ou pudessem existir. A maioria das pessoas acha que o mundo alternativo é só o desses indies-festivos do Baixo Gávea-Lapa-Rua Augusta (pra ficar no eixo RJ-SP), com suas barbas, violões e adoração cega da vida, algo meio desmiolado, e de repente dá de cara com um Bemônio. O Paulo Caetano, cabeça do projeto que lançou “Vulgatan Clemetinam”, seu primeiro disco, pela TOC, é um desses artistas que você tem que bater palmas, por ousar ir contra a maré e aceitar que talvez cem pessoas apenas, durante toda a sua existência, vão ouvir sua música. Mas são cem pessoas que vão ser profundamente afetadas por essa ousadia. Outra visão de mundo, outras sensações.

O mesmo vale pro Gimu, o Gilmar Monte, de Vila Velha, Espírito Santo, que produz numa quantidade absurda suas ambiências experimentais. O disco mais recente é o “All The Intricacies Of An Imaginary Disease”, de onde tirei “Will I Ever Sleep Well Again?”. Gostaria de ter tempo e atenção pra postar tudo o que esse cara produz. E pra Cadu Tenório, que tem trocentos projetos, alguns lançados de maneira independente, outros pela TOC e outros pela Sinewave. Deles, o mais absurdo e “inaudível” (no sentido de indecifrável) é o VICTIM!. Não sei o que achar do VICTIM!, a não ser que me surpreende a forma como os sons podem ser criados, compilados e vendidos num país ensolarado como o nosso. Isso no Japão talvez faça mais sentido. Mas é essa inversão que me atrai.

Cadu é outro que produz em ritmo absurdo. O VICTIM! lançou dois discos esse ano. Dois. “This Is What You Love, Young Man, And Isn’t Beautiful” é o mais recente, de onde tirei a insana “Crowd”.

Na mesma linha do Gimu, por exemplo, tem o francês Cyril Rampal e seu Black Poligons. “Symmetry” é do seu primeiro disco, homônimo, lançado no começo de 2012. Ele faz experiências eletrônicas, como o Kraftwerk fazia antes de “Autobahn”.

Pra não ficar só nas esquisitices, uma das bandas mais bacanas que conheci em 2012 foi a The Holiday Crowd. É uma imitação deslavada dos Smiths, como tantas e tantas outras, mas tudo bem. A banda é canadense e lançou um EP chamado “Over The Bluffs”, de onde tirei “Never Speak Of It Again”. O Violens é tranquilão também, uma sonoridade que muita gente já conhece, dream pop e tals. Mas fez um belíssimo segundo disco, “True”. “Totally True” é dele. Que canção assobiável! E um dos discos mais legais de 2012 é “Corridors”, do Observer Drift. Música linda, feita por Collin Ward, um adolescente estadunidense. Ouça “Warm Waves”, que fala por si só. Algo que só a Internet pode oferecer.

Assim como essa descoberta recente e maravilhosa, oferecida pelo amigo Al Schenkel, o Pärson Sound, suecos do final da década de 1960 e que nunca lançaram um disco de fato. Um espetáculo velvetiano que fez ganhar meu dia, minha semana, meu mês. Escolhi “Tio Minuter” porque é a música que Al me apresentou, mas sinceramente, é coisa fina o suficiente pra você baixar tudo o que eles fizeram.

Algo que só a Internet, essa loja gratuita, pode ofertar.

01. OM – State of Non-Return
02. SWANS – Lunacy
03. CRIPPLED BLACK PHOENIX – The Brain / Poznan
04. DISAPPEARS – Replicate
05. GRAHAM COXON – What’ll It Take
06. BEAK> – Yatton
07. THE TWILIGHT SAD – Dead City
08. FUTURE OF THE LEFT – Sheena Is A T-Shirt Salesman
09. EARTH – Sigil of Brass
10. UFOMAMMUT – Luxon
11. WHITE HILLS – Pads of Light
12. SECRET CHIEFS 3 – The Western Exile

Download

Dando sequência as edições da Mixtapes & Noisemates do blog, a terceira edição fica ao encargo de Elson Barbosa, baixista da Herod Layne e patrono da netlabel paulista Sinewave.

Pra quem não faz a mínima ideia do que estou falando, basta dar uma descentralizada do seu mundinho e dar uma conferida em uma das bandas mais bacanas do ainda recente e emergente cenário post-rock brasileiro. A Herod Layne já vem trilhando desde 2006 pelo underground nacional e se prepara para o lançamento do seu segundo full lenght. Sendo seu mais recente trabalho o ótimo Absentia de 2010, que você pode baixar e ouvir gratuitamente aqui.

Já a Sinewave vem desde 2008 acumulando alguns dos lançamentos independentes brasileiros mais bacanas, focando na distribuição dos discos através de downloads gratuitos e apostando em gêneros experimentais como o shoegaze e o post-rock como diretriz de seu trabalho. Além de alguns festivais espalhados por diferentes capitais do país com bandas do casting e algumas outras convidadas.

Fique com a seleção de doze canções lançadas em 2012 escolhidas pelo Elson + texto, apresentando um pouco do seu gosto pessoal e mostrando que além de um grande motivador da cena independente e grande músico o cara também é um ótimo ouvinte e pesquisador musical de primeira.

A arte da capa fica novamente nas mãos do parceiro Neri Rosa.

Texto por Elson Barbosa

Tenho uma espécie de “Síndrome de Rob Fleming” cada vez que preciso fazer uma seleção de melhores do ano. Baixo tanta coisa, e tanta coisa legal, que passo horas decidindo qual faixa entrar, quais dezenas saírem, e algo tão importante quanto – a ordem. Deveria ser mais simples, mas para os neuróticos por listas como eu, não é.

Mas saiu. E é melhor eu me livrar logo dessa lista, antes que ela mude completamente – o que deve acontecer daqui a uns dez minutos. Nessa seleção, entrou mais ou menos o seguinte:

Começando pelo Om fazendo o disco do ano, o espetacular Advaitic Songs, e o Swans, fazendo o quase disco do ano – o colossal The Seer. Pensei em incluir a faixa-título, mas os seus 30 minutos de duração dificultam um pouco. Depois o Crippled Black Phoenix, com uma faixa do sensacional (Mankind) The Crafty Ape, lançado no começo do ano. “The Brain / Poznan” é a minha favorita – percebam como parece umas cinco músicas diferentes numa só.

Daí vem uma sequência com uma linha em comum, mais ou menos inspiradas no krautrock dos anos 70: Uma do Disappears, do álbum Pre Language, agora oficializando o Steve Shelley (Sonic Youth) na bateria; Uma do Graham Coxon (Blur), do A+E, quase um álbum de “krautpop” (separei o hit, “What’ll It Take”, mas outras do disco parecem uma cruza de Neu! com Kinks); E uma do BEAK>, projeto do Geoff Barrow (Portishead), tirada do álbum BEAK>> – “komische musik” diretamente do interior da Inglaterra.

Depois vem o The Twilight Sad, do álbum No One Can Ever Know, com o volume das guitarras um pouco mais baixos mas ainda assim brilhantes. E pra dar uma animada, o Future Of The Left, projeto dos caras que tocavam no McLusky, com uma barulheira do The Plot Against Common Sense pra treinar o air guitar pulando em cima do sofá. Aí vem uma sequência meio sombria – O “metal acústico” do Earth, tirada do Angels of Darkness, Demons of Light II; O sludge instrumental dos italianos do Ufomammut, do álbum ORO: Opus Alter; E a acidez psicodélica do White Hills, do álbum Frying On This Rock. Pra fechar, uma das momentos mais sublimes do ano: Os malucos do Secret Chiefs 3 incorporando Ennio Morricone no EP The Western Exile / La Chanson de Jacky – Western spaghetti em sua melhor forma.

Foi difícil fechar a lista, mas saiu. E se o Al Schenkel esperasse mais umas semanas pra me pedir a mixtape, eu teria que achar espaço pra encaixar o novo do Neurosis. Grande ano esse 2012.

01 “Stick Figures in Love” by Stephen Malkmus And The Jicks
02 “Chew” by Yuck
03 “Endless Shore” by Melody’s Echo Chamber 
04  “What You Wanted” by Seapony
05  “It’s Too Close” by Katty Winne
06  “We Don’t Belong” by Screen Vinyl Image
07 “Thousand at a Glance” by Suffering Astrid
08 “Into The Shade” by Shiny Darkly
09 “And I’m Up” by A Place To Bury Strangers
10 “Rip” by Ringo Deathstarr
11 “Soft Focus” by Asalto Al Parque Zoologico
12 “Fountain of Youth” by I Have No Mouth and I Must Scream

Download

A ideia da Mixtapes & Noisemates é agregar através de uma seleção de 12 canções + texto pessoas ligadas a música que são admiradas pelo Ride Into The Sound. Cada mixtape parte da escolha pessoal do convidado da vez e traz até o leitor do blog algumas das canções com maior rotatividade em seus music players, deixando a mostra algumas de suas referências e inspirações mais recentes no meio musical mundial. Esta ideia também serve para incentivar a busca e conhecimento por bandas que as vezes passam despercebidas ou mesmo nem chegam a nossos ouvidos por algum motivo ou outro.

Fique com a segunda edição feita por Régis Garcia, multi-instrumentista gaúcho e membro fundador da excelente The Sorry Shop. A arte ficou por conta do amigo Neri Rosa, do essencial Mofonovo.

Texto por Régis Garcia

“Com a correria de sempre, raramente tenho parado pra procurar música nova e, no fim das contas, acabo escutando muita coisa da zona de conforto auricular, aquilo que a gente já conhece. Esses tempos percebi que os discos que tenho no carro, em mp3, já estão ali pra mais de um ano, quem sabe. Contudo, em casa, enquanto estou na frente do computador, escuto qualquer coisa (decente) que me convidam pra escutar.

Um reflexo disso é essa playlist aqui, que tem um pouco do que tenho gostado e escutado ultimamente, principalmente por indicação de amigos e conhecidos. Tem bandas como o Yuck e o Malkmus que são de fé. O Yuck é uma predileção absoluta e a “Chew” é uma música gostosa e fácil (os baixos da Mariko são sempre interessantes e certeiros). “A Stick Figures in Love”, do Malkmus, tá nos ouvidos desde que o disco saiu e eu não consigo parar de escutar. Na mesma onda de “fácil e gostoso” tem a Melody’s Echo Chamber, a Seapony e a Katty Winne. Das três, que sempre me parecem ter certas afinidades, a Seapony é a que conheço faz mais tempo. Mesmo assim, as outras duas são páreo duro. Gosto muito de escutar essas três bandas/artistas quando preciso relaxar um pouco. Acho charmoso, sabe? A Katty eu conheci esse ano e já uma das favoritas do Brasil.

Esse ano eu também conheci a Screen Vinyl Image, numa onda um bocado diferente, mas muito grudenta. A “We Don’t Belong” é daquelas músicas em elipse, que te agarram pelo cérebro e ficam martelando até dar nojo, mas nunca dá. Aliás, junto com a Vinyl, eu fui apresentado ao Suffering Astrid, pela Meire Todão, uma fotografa que manja bastante de música boa. De todas as bandas daqui, acho que a Suffering Astrid é a banda que tem mais me inspirado, principalmente por conta de umas guitarras muito marcantes. Por falar em indicações, a “Into the Shade”, da Shiny Darkly, com todo aquele ar pesado, foi uma ótima dica de um cara chamado Al Schenkel. Me pegou de primeira por fazer lembrar A Place To Bury Strangers, que por sinal tá aqui na lista. A Place To Bury Strangers é uma banda que não teria gostado tanto se não tivesse visto os caras de perto. A “And I’m Up”, que tá nesse ultimo disco, é animadinha na medida. Não fica chata, nem banal e, dentro do contexto do “Worship” funciona tão bem quanto fora dele. A Ringo Deathstarr já é uma (nem tão) velha conhecida, mas a “Rip”, que é dos últimos releases deles, é sensacional e fresca. Apesar das guitarras brilhantes e barulhentas, o que mais me chama atenção são os vocais na medida.

Ok, a “Soft Focus”, da Asalto Al Parque Zoologico é um pouco mais antiguinha, mas me permiti colocar ela por aqui pelo simples fato de que eu só fui ouvir falar deles esse ano, por conta de ótimas indicações por aí do Jairo Manzur. É uma banda que tem coração e, mesmo no meio de tanta coisa com intenções semelhantes, não deixa de soar original. Pra finalizar tem a “Fountain of Youth”, da I Have No Mouth and I Must Scream, que merece muito mérito pela atmosfera densa, mas gentil e pela preocupação com detalhes de guitarra. É uma banda que não tem tudo bom, mas em alguns momentos é fantástica.

1- “State Of Non-Return” by OM
2- “You Bring The Sadness” by Maribel
3- “333” by Flea
4- “Blue Skies’ by Jad Fair + Hifiklub + kptmichi
5- “The heart Of Every Country” by Cripped Black Phoenix
6- “I Am What I Am” by Spiritualized
7- “The Fatalist” by Lyonnais9
8- “Les Voyages De L’Âme” by Alcest
9- “Amnesia’ by Dead Can Dance
10- “The Corascene Dog” by Earth
11- “When It Comes To Adultery I Am My Own Genre” by The You and What Army Faction
12- “Venemom” by Test

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A primeira edição da Mixtapes & Noisemates do Ride Into The Sound traz a colaboração de Lucas Lippaus Mateus, uma das mentes por trás da Sinewave e também guitarrista das bandas Herod Layne, S.O.M.A. e Hoping To Collide With para a ajuda na escolha de 6 das 12 faixas que abrem os trabalhos por aqui. A ideia das mixtapes é compartilhar com os leitores do blog o gosto pessoal de cada convidado, mostrando um pouco de suas influências e algumas das músicas que andam ganhando destaque em seus iPods, MP3 Players e afins. Neste primeiro volume a escolha foi baseada apenas em discos lançados neste ano, com músicas que vão do Stoner/Doom/Metal do duo OM ao experimentalismo com pitadas de jazz e música eletrônica presentes no EP de estréia solo de Flea, baixista do Red Hot Chilli Peppers, passando pelo shoegaze psicodélico da banda norueguesa Maribel ao Death/Grindcore do duo paulista Test.

Baixe, compartilhe e ouça no volume máximo e prepare-se porque na próxima semana tem mais uma edição barulhenta, psicodélica e dissonante da Mixtapes & Noisemates!!!