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kiergard

01.Enten-Eller 3:54

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Por Al Schenkel

Como um feixe de luz esperançoso lançado sob a raquítica e anêmica cena autoral de Criciúma / SC, a Kiergard — adaptação livre sob o nome do filósofo e teólogo dinamarquês, Søren Kierkegaard — pariu em 15 de fevereiro deste ano seu primeiro rebento, o single Enten – Eller — nome também ligado ao autor, em referência à obra homônima e publicada em 1843.

Com a utilização de um sampler de Stalin em referência a um discurso proferido pelo mesmo ao final da 2ª Guerra Mundial mas sem tomar partido político algum, Enten – Eller surge numa soundscape crescente de urgência e melancolia, desfilando vocais em segundo plano, guitarras e baixo com fortes dosagens de delay e reverb e uma bateria sempre certeira e bem estruturada. A sonoridade alude aos gêneros shoegaze, post-punk, post-rock e rock alternativo dos anos 90 e de bandas contemporâneas.

Com produção, gravação, mixagem e masterização da própria banda, a Kierkard traz em sua formação Ticão Canella (guitarra), Beatriz Toledo (guitarra/voz), Mauro Fabian (baixo) e Ramon Macedo (Bateria). A arte da capa traz assinatura de Mauro.

Enten – Eller pode ser baixada gratuitamente ou no esquema “name your price” através do bandcamp oficial da Kiergard. E logo abaixo você poderá conferir uma pequena entrevista feita com Mauro Fabian, membro fundador, baixista e um dos compositores da banda. 

01.Conte-nos um pouco sobre o início da banda. Quais os propósitos, influências e sobre como a ideia de montar a Kiergard surgiu.
Não me recordo muito bem de ‘quais carnavais’ conheço a Beatriz, porém desde que nos conhecemos houve uma grande vontade de criar um projeto juntos, geralmente impossibilitado pelos compromissos com outras bandas naquela época. Há um ano atrás (ou quase um, não sei dizer ao certo), conseguimos um baterista e foram acontecendo alguns ensaios despretensiosos. Entre um cover e outro, conseguíamos tirar algumas jams bem interessantes e foram essas jams que incentivaram a nossa vontade de nos expressar com a nossa própria arte. Aos poucos fomos “abolindo” os covers dos nossos ensaios e focando cada vez mais nas jams, até eliminar completamente os covers do nosso repertório.
Passamos por algumas formações até chegar na atual mas posso afirmar que esta é a formação que é mais madura e consistente naquilo que entendemos como música.
Nossas influências passeiam por caminhos bem diferentes. Vamos do shoegaze, post-rock e rock progressivo ao HC e até mesmo ao doom metal. O mais interessante é que, na minha opinião, todas essas influências agem de uma forma meio simbiótica, aonde tu não consegue definir exatamente o que a Kiergard é mas tu sabe que há um pouco de tudo isso nela.

02.O nome da banda é uma adaptação livre sob o nome de Søren Kierkegaard e o primeiro single é homônimo a um dos livros do mesmo, certo? Qual a ligação da banda e sua sonoridade com a obra do autor?
Não há muito misticismo no nosso nome. Beatriz estava numa aula de filosofia e, justamente, Kierkegaard era a pauta naquele dia. Ela nos abordou depois de um ensaio e apresentou a ideia de nomear a banda como “Kiergard”, não houve objeções.
Compartilhamos de algum ou outro pensamento mas não somos totalmente adeptos à sua filosofia.

03.Como vocês veem a cena autoral de Criciúma e do Brasil e quais bandas nacionais vocês acham que valem serem ouvidas?
Particularmente, acredito que a cena autoral de Criciúma ainda é fraca. Parece haver uma filosofia instalada nos residentes da cidade que não deixa o individuo se dispor a ouvir uma música autoral sem ‘cruzar os braços’, ainda mais se for um som que saia dos padrões do rock clássico ou do HC. Vejo poucas pessoas com pouco conhecimento que envolva a cultura musical em si, pouco se consome daquilo que sai do nicho do roqueiro estereotipado. É triste como algumas pessoas não se permitem descobrir o mundo vasto e rico que há nas mais variadas vertentes musicais.
Nesses dez anos que estou no Brasil passei por algumas cidades e posso dizer que Criciúma tem muito a melhorar, mas para alívio de todos, ou pelo menos meu, as coisas parecem estar melhorando. Vejo que de alguns ano para cá tem havido um certa abertura ou uma leve sede de absorver coisas diferentes. Acredito que em alguns anos a cidade vá se tornar mais rica musicalmente.
Acredito que todas as bandas valem ser ouvidas, independentemente de gêneros.

04.Como tem sido a recepção das pessoas sob o trabalho da banda? Vale a pena manter uma banda independente onde o mercado raramente abre as portas pra novos artistas?
O nosso primeiro show foi no 12 Horas Rock e a recepção do público foi incrível, nenhum de nós esperava por isso. De lá pra cá temos feitos poucos shows, tem bastantes fatores mas acredito que há uma barreira com bandas de rock alternativo. Metade dos shows que participamos foram organizado ou tiveram alguma conexão com o Coletivo Murro.
Financeiramente ter uma banda autoral e independente não tem rendido nada além de bebida. Em compensação, área emocional, vem sendo uma experiência totalmente aditiva. Tem seus altos e baixos mas não consigo me ver vivendo sem isto. A banda e o ambiente musical se tornaram essenciais para minha existência.

05.Quais os planos pro futuro? Há material novo pra ser lançado e vocês podem adiantar alguma novidade ou detalhe?
Estamos na produção/gravação do nosso primeiro EP que será intitulado ‘1/4’. Não temos data prevista para o lançamento, até porque está sendo todo produzido por nós mesmo, o que torna o processo ainda mais demorado. Por enquanto é isso que posso adiantar.

06. Algumas palavras complementares para os leitores do Ride Into The sound e fãs da banda?
Primeiramente agradecer pelo espaço e a todos aqueles que tem acreditado no nosso trabalho. Em segundo lugar, mas não menos importante, gostaria de fazer um apelo para quem estiver lendo esta matéria: se permita, a vida é muito curta para seguir rótulos!
Certa vez me perguntaram se eu era roqueiro… respondi “Não, eu gosto de música.”

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01. About a Boy 2.38

Soundcloud / Facebook

Por Al Schenkel

Enquanto finalizam o sucessor do ótimo disco de estréia, o EP Molly Gun, lançado em maio de 2012, Katty Winne traz a tona uma amostra do que será o primeiro full-lenght da banda através do single About a Boy, canção que estará presente em Shadows Of The Moon, disco de 11 faixas previsto para o final de 2013.

Em About a Boy, as influências grunges e noventistas são exaltadas a potência máxima, nos remetendo diretamente a uma fusão entre L7, The Breeders, Nirvana e Smashing Pumpkins, ou seja, guitarras altamente distorcidas e microfonias dando um contraste forte a a toda a estrutura melódica da canção e as belas linhas vocais de Winne.

Um esporro sonoro da melhor qualidade pra deixar-nos torcendo para que 2013 passe voando e nos brinde logo com Shadows Of The Moon. 

Prestes a lançar seu primeiro trabalho, a curitibana Sonora Coisa de Rafael Bührer- Baixo e vocal, Afonso Bührer- Guitarra e vocal, Dennis Medeiros- Guitarra e Willian Pelacini- Bateria põem na roda uma das peças que estará em breve presente na sua aguardada estréia. “Fireworks” e seu tema instrumental tem produção do experiente Mark Kramer, músico e produtor americano encarregado do debut da banda e que carrega em sua bagagem nomes como Galaxie 500, Butthole Surfers, Daniel Johnston, Jad Fair & Half Japanese, Low e Codeine, além da trilha sonora de Pulp Fiction, entre outros. O disco ainda sem nome divulgado e data exata de lançamento será disponibilizado através do selo paulista Pisces Records. 

Fique com a audição da belíssima Fireworks:

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1.Radio 4:29
2.Radio Offshore (feat. Robert Levon Been) 5:27

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Contendo duas versões da mesma canção, uma interpretada pela banda e outra com vocais de Robert Levon Been, “Radio” é o segundo single lançado oficialmente pelo sexteto inglês Dark Horses. Lisa Elle, Bobby Waterson, Andy Bang, Steve Ingham, Harry Bohay-Nowell e Tommy Chain são a reflexo exato de uma banda que consegue unir a emoção da música ao poder artístico da imagem, transformando ambos em veículos de representação quase inseparáveis. Talvez a primeira audição/vista possam parecer a personificação moderna de um Velvet Underground nos tempos áureos da criatividade ao lado de Andy Warhol mas esta impressão poderá se expandir caso você observe com um pouco mais de atenção, podendo notar influências que vão além do experimentalismo e lirismo junkie de Lou Reed e cia. Pequenas dosagens de Kraut-rock e da própria banda de Robert, o Black Rebel Motorcycle Club poderão ser identificadas ao longo das canções que em harmonia perfeita aos ares místicos e enfumaçados transformam o Dark Horses em uma dessas bandas para reverenciarmos muito além dos arquivos em MP3.

Ouça e assista “Radio” na voz de Lisa e dos Dark Horses:

1.I Get High If You Get High 03:56
2.Boom Boom Blasphemy 04:35

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Com o nome inspirado em um Western Spaghetti de 1967 dirigido por Siro Marcellini e influências musicais que remetem total diversidade através de bandas como Link Wray, Patti Smith, The Velvet Underground, The Black Angels, The Warlocks  e o maestro Ennio Morricone eis o cartão de visita deste sexteto inglês chamado Lola Colt com o single “I Get High If You Get High”, que também conta com o ótimo B-side “Boom Boom Blasphemy”. Sente, aumente o volume e deixe este furacão guiado pelas mãos e vozes de Gun O., Matt L., Martin S., James H., Tim B. e Kitty A. devastar sua mente e alma com total languidez e psicodelia onde o frenesi de guitarras e tambores duelam hipnoticamente em meio a esta orgia sonora desenfreada.

 “You Could Be Tiger”é um precursor para o próximo full-lenght da banda She Sir que deve ser lançado ainda este ano. O single, liberado gratuitamente através do site oficial da banda que não lança nada desde 2010 é uma versão especial que não será encontrada no novo álbum. Vale lembrar que os últimos registros foram através da compilação japonesa “Ev’ry Thing In Paris” e  do EP “Yens”, ambos de 2010.  “You Could Be Tiger” abre caminho para um sucessão de singles que devem ser lançados também neste ano. Enfim, uma grande notícia para os fãs deste ótimo quarteto texano.

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Produced by Erik Wofford & She Sir
Engineered by Erik Wofford
Recorded to tape at Cacophony Recorders, Austin, TX, USA
Drums by Martin Crane
12-string guitar, vocal harmonies & tambourine by M. Grusha
All other instruments by Russell Karloff

Ouça a faixa “It’s My Way of Staying Connected”, presente em “Ev’ry Thing In Paris” para relembrar:

1.Clear The Air 03:38
2.A House On The Moon 03:09

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Estréia de Jacco Gardner, o single “Clear The Sky” foi lançado em 19 de fevereiro de 2012 juntamente com o B-side “A House On The Moon”. Ele está disponível em edição limitada em vinil 7″, lançado pela gravadora Action Weekend Records. Vale lembrar que Gardner também é parte do duo The Skywalkers (baixe seu debut aqui) e que a sonoridade do holandês continua parecendo alguma obra clássica totalmente lisérgica perdida entre 65-68 bebendo diretamente de fontes como Pink Floyd (The Piper At The Gates Of Dawn), The Zombies e The Beach Boys nesta sua nova cria que magicamente transborda elementos neo-psych, baroque pop e chamber pop.

All instruments played by Jacco Gardner.
Drums by Jos van Tol.
Produced by Jacco Gardner.
Mastered by Jean Audier & Drive Division.

Tamaryn “I’m Gone” (2012)

Publicado: 26 de julho de 2012 em Psychedelic, Shoegaze
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“I’m Gone” é o primeiro single do Tamaryn, duo shoegazer de San Franscisco que antecederá o novo lançamento  previsto para outubro deste ano via Mexican Summer. Tender New Signs será o sucessor do ótimo The Waves, lançado em 2010 e esta sem dúvida é uma amostra poderosíssima do belo disco que está para vir .

Confira a faixa liberada no dia 24 de julho para streaming logo abaixo:

Com algumas semanas de vida e influências que a partir do nome já esclarecem um pouco sobre a proposta e direcionamento do projeto, a one-man band Electro-o-Purr, do gaúcho Jonathan Silva traz a luz seu primeiro rebento: o single “Spin The Sky”, uma profusão melancólica entre dream-pop, post-punk e shoegazer gravada ao melhor estilo lo-fi em seu home-studio. A canção que evoca influências diversas, nos redireciona diretamente as décadas de 80 e 90, onde nomes como The Cure, The Mary Onettes, Low Dream e The Jesus And Mary Chain dão algumas das parcelas de contribuição para a confecção da obra. Vale lembrar que o single serve como cartão de visitas para o jovem músico que pretende lançar seu EP de estréia com cinco canções para o final de 2012 sob o nome de “Dangerous Places and Fantastic Pleasures”. Certamente, uma das belíssimas apostas para este ano cheio de novas  e ótimas representações no meio underground nacional. Abra uma cerveja, feche os olhos e deixe a canção transportá-lo furtivamente para dentro deste ímpeto de enleios e ambientações.

 

Shishi “Nick Of Time” (2012)

Publicado: 24 de julho de 2012 em Bandcamp, Shoegaze, Synth-Pop
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Shishi, ou  石獅子 no original chinês  é um elemento cinoforme presente nos templos chineses com poderes mágicos e a capacidade de repelir demônios e também abrigar espíritos benéficos. Aderindo a esta mitologia como contraponto, Tom Lugo e sua esposa Jamie nos brindam com o primeiro single deste novo projeto que aos poucos ganha evidência. A sonoridade de “Nick Of Time” transmite perfeitamente a união entre elementos synth pop, batidas contagiantes e ao mesmo tempo uma evocação clara e introspectiva das influências shoegazer carregadas nas guitarras de Lugo. Enfim, uma canção que abre portas para mais uma empreitada que tem tudo para dar certo vindo da mente criativa responsável por pérolas como Stellarscope e Panophonic, além de dono do selo independente Patetico Recordings. Diretamente dos subúrbios da Philadelphia eis mais uma prova da experiência matrimonial que aliada a união musical só vem a acrescentar.

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